A regulação da liberalização II
- Published September 30th, 2008 in Política
Em resposta ao post anterior, “A regulação da liberalização”, surge uma espécie de contra-resposta, muito embora não responda, se limita a perguntar.
O autor do blog, que se mantém curiosamente em anonimato, começa por recusar a definição de liberalismo que eu supostamente dei e volto a citar:
“Um liberal defende que, por natureza, as intervenções e regulamentações, tomadas por um conjunto restrito de indivíduos, são menos informadas que os próprios agentes do mercado.”
Ele estaria correcto e começaria bem se isso fosse presenteado de facto como uma definição de liberalismo. Mas não o é. É uma das premissas para a defesa de um sistema liberal (onde a intervenção do Estado é pouca ou nenhuma — isto sim, uma definição para liberalismo). A premissa toma como tese que um conjunto limitado de indivíduos (o Governo) não tem mais informação que os milhares de agentes que compõe um mercado, pelo que dificilmente tomarão decisões mais informadas que os seus próprios agentes. Quem o disse não fui eu. Foi Adam Smith, Hayek, Friedman, entre muitos outros.
Sou então acusado de “liberalista conveniente”, com base na ideia que defendo o liberalismo quando este serve para premiar os lucros das empresas, mas defendo a intervencionismo quando este serve para as proteger.
Termina com uma questão “Gostava de perguntar ao Mário se o liberal defende a intervenção Estatal quando a falência é eminente?”
Pois, enganou-se. As falências são a reciclagem do mercado. São o expoente máximo do mérito — os bons ficam e têm sucesso, os maus vão à falência. É um processo normal e evolutivo, pelo que, da mesma forma, não deverá sofrer a interferência do Estado.
O que se passou recentemente com as empresas do sector finançeiro vem, antes de mais, punir os erros na análise de risco das taxas de juro do crédito. Por outro lado, colocar em causa a ideia que a banca de investimento pode existir sem a banca trandicional, no sentido em que comercializa derivados e derivados de derivados finançeiros com uma alavancagem muito superior ao dinheiro que têm disponível. Reza o bom senso que se tenho 10, gasto no máximo 10. O crédito e a alteração da política monetária (nomeadamente a quebra da paridade dinheiro < -> ouro) rompeu esta definição tradicional. Houve excesso por parte de alguns bancos. Hoje, esses bancos pagam a factura desse excesso [1].
[1] - Esta é uma visão macro-económica extremamente curta e redutora da crise no sector financeiro, mas dá uma ideia.




“Houve excesso por parte de alguns bancos”? Não. Houve sim trafulhice, corrupção e incompetência.
“Hoje, esses bancos pagam a factura desse excesso.” Mais um vez errado. Quem está a pagar (e irá pagar por muitos anos) esta factura não são os bancos, mas sim os contribuintes.