A Segurança Social é irredutível?
- Published September 21st, 2008 in Política
Com a crise que paira na AIG, a maior seguradora americana responsável pelos planos de poupança de cerca de 74 milhões de euros, a esquerda volta a apontar as armas a todos aqueles que defendem a privatização da Segurança Social.
A questão que se coloca é se a Segurança Social é irredutível? Com o envelhecimento da população, a inflacção, o aumento da população inactiva e a diminuição da população activa, a resposta nunca poderá ser um preemptório “Sim”. Pelo contrário, é muito provável que a minha geração esteja hoje a descontar e que nunca veja retorno.
Um sistema liberal é melhor? Eu colocaria a questão de outra forma. O sistema liberal permite-me gerir esse dinheiro da maneira que bem entender. Permite-me capitalizá-lo se assim o entender ou guardá-lo debaixo da cama.
Acreditar na Segurança Social é acreditar que o Estado faz um melhor trabalho a gerir o meu dinheiro e a zelar pelos meus interesses. Eu não acredito.
Por outro lado, e do ponto de vista social, acreditar que estamos a pagar a reforma dos nossos avós é pura ilusão. A classe média — que amonta ao grosso da população portuguesa — estaria bem melhor se não fosse privada dos obscenos 27% (pagos pela empregador) + 11% (pagos pelo próprio) durante a sua vida activa.
Em última instância, deveria sempre competir ao indivíduo a escolha — se quer descontar para a Segurança Social ou se prefere gerir ele próprio esse dinheiro.




Se a segurança socias for 100% para reforma, concordo plenamente. Contudo, não sei se é este o caso.
Mesmo assim, caso não seja, era muito agradável/responsável por parte do governo por em evidência essa preocupação da SS e dar a opção ao cidadão.
Concordo plenamente com os aspectos que referiste.
No entanto, não podes esquecer que permitir ao cidadão que opte por descontar ou não para segurança social não economicamente viável neste momento.
Pelo simples facto de que se 30% (talvez ainda menos) da população optar por deixar de descontar, isto significará que o governo não terá dinheiro para pagar os aposentados, ou seja, a quebra da segurança social.
Neste momento, não vejo outra saída para o governo a não ser colocar o controle ainda mais rígido quanto aos pagamentos e criar empregos.
Felipe
http://www.felipeacosta.com
http://opensamentolateral.blogspot.com
Ora… Nem toda a gente ganha para conseguir suportar a sua reforma ou até um possível doença tendo em conta o pensamento capitalista a última coisa que podemos contar é com uma seguradora a olhar pelo nosso dinheiro. Estaríamos a descontar o actual + a comissão.
Em última instância, deveria sempre competir ao indivíduo a escolha — se quer descontar para a Segurança Social ou se prefere gerir ele próprio esse dinheiro.
Cenário: O zé Manel decide quer prefere não contribuir para a segurança social e que vai ele próprio fazer a gestão do dinheiro para a sua reforma. Mas… passam-se uns anos… e o Zé Manel verifica que afinal não conseguiu aguentar o dinheiro no bolso e, agora que a idade da reforma se aproxima, e a saúde lhe falha, começa a ver-se em maus lençóis.
Não lhe retirando a culpa, e tendo consciência que merecia umas belas sardas, como é que o estado devia lidar com esta questão? Deixa um cidadão morrer à fome? afinal de contas… ele não descontou para a segurança social… não existe nenhum compromisso do estado para assegurar seja o que for, ou existe?
O que eu acho é que o modelo actual talvez não esteja tão mal assim, embora, precise de ser afinado. Todos são obrigados a descontar para a SS, para que este tipo de situações seja precavida. Nada nos impede de começar a pensar já na reforma, e de como a garantirmos por nossa conta, mas os descontos para a SS acho que vão ser sempre necessários, senão por nós próprios, pela sociedade no seu global.
Uma ideia que vejo recorrentemente a ser transmitida (pela comunicação social, mas também pelos políticos que se dão a estes temas) é que os descontos que uma pessoa faz são para garantir a sua própria reforma… e não me parece que seja assim tão linear.
Filipe Correia,
Azar do Zé Manel. A responsabilidade pessoal sai cara, mas educa as pessoas. O filho do Zé Manel ia provavelmente ter bem mais cuidado com o seu dinheiro.
Obrigar alguém a fazer seja o que for é moralmente errado e vai contra um princípio que considero fulcral: o da liberdade individual. Para compensar as asneiras do Zé Manel eu tenho de estar a pagar por ele por algo que eu provavelmente capitalizaria bem melhor… não me parece justo.
Problema é que nem todo o Zé Manel é educado desde nascença correctamente e a actual situação económica nem sempre permite ao desgraçado que ganha 325 por mês (lá encontrou um emprego só para ajudar a pagar a faculdade) descontar desse valor para a segurança social. Ou então a empregada de limpeza que dos 400 euros limpos já levou com o desconto da SS em cima e ainda bem porque afinal de contas estes seguros de saúde cobrem exactamente o quê e pagas quanto ?!
Obrigar alguém a fazer seja o que for é moralmente errado e vai contra um princípio que considero fulcral: o da liberdade individual.
Concordo parcialmente.
A civilização actual vive em sociedade. E isto traz benefícios (transportes públicos, eventos sociais, etc, etc) e traz aspectos negativos… como por exemplo pagar a segurança social e outros sistemas que por definição do governo (que foi eleito pela sociedade) são necessários.
Assim, eh uma obrigação civil e moral… e, desta forma, nao vai contra a liberdade individual.