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O que me assusta no comunismo…

Hoje um amigo meu questionou-me o que me assusta a mim, enquanto indivíduo, no comunismo e, em menor medida, no socialismo.

A resposta foi fruto de um impulso lacerante e assustador: que aquilo que sou e faço iria depender de todos, menos de mim.


15 Responses to “O que me assusta no comunismo…”

  1. Sérgio Rebelo
    Published at June 5th, 2008 at 10:59 pm

    Na democracia, aquilo que fazes depende da maioria.

  2. mlopes
    Published at June 5th, 2008 at 11:11 pm

    Aquilo que um indivíduo faz e aquilo que ele alcança numa sociedade livre e aberta depende apenas dele e somente dele. A dependência de decisões arbitrárias e de moralidade duvidosa tomadas por uma qualquer maioria é precisamente aquilo que me assusta. A culpa não é da democracia — é de esta permitir que existam individuos que se sobreponham aos outros com base em princípios que interferem com a liberdade, consciência e razão individual.

  3. Miguel
    Published at June 5th, 2008 at 11:48 pm

    Estás redondamente enganado. O comunismo não deve ter implicações nas liberdades individuais. O que te fazes, só a ti te diz respeito. O que é de todos, a TODOS diz respeito. É esta última frase que demarca o comunismo como modelo social do futuro.

  4. mlopes
    Published at June 5th, 2008 at 11:56 pm

    Miguel,

    É precisamente essa difusa definição do “o que é de todos” que me assusta.

    Para mim o que é de todos é o ar que respiramos. Para os comunistas tudo é de todos. Sendo tudo de todos, deixamos de ser livres enquanto indivíduos, estando então sujeitos e limitados àquilo que alguém define como “interesse público”.

    Só é possível garantir que somos verdadeiramente livres e não dependemos de ninguém se necessidades básicas como a propriedade privada e o direito à propriedade forem violáveis e intransponíveis — premissa que é a anti-tese do comunismo.

    Não, obrigado.

  5. mlopes
    Published at June 5th, 2008 at 11:59 pm

    E já agora, eu não me referi ao que eu faço ou deixo de fazer. Referi-me ao que posso ou não posso fazer estar dependente da tal noção de “bem público”. Uma noção tudo menos objectiva.

  6. paula
    Published at June 6th, 2008 at 11:39 am

    Já por várias vezes notei o teu medo do comunismo. Não só teu, claro. A discussão que tivemos sobre o 25 de Abril/Novembro é reflexo disso mesmo: do medo do comunismo, o medo da esquerda.
    O que não percebo é a tua posição tão longe da realidade.
    Focas o quão terrível é o comunismo como se estivesses à beira de uma ditadura comunista e nem te apercebes que estás muito mais perto de um regime de de direita do que de esquerda.
    Basta dares uma olhada por essa blogosfera fora: comentários e até posts, não de fanáticos, mas de pessoas que colocam essa hipótese de forma muito séria e racional.
    Quem ler os teus posts há-de pensar que estamos a caminhar para um regime comunista… Mas na realidade estamos a caminhar no sentido oposto. Por isso te digo, não te preocupes com o comunismo, preocupa-te sim, é com o lado oposto.
    Outra coisa, os livros são para ser lidos e reflectidos num contexto temporal e espacial.

  7. mlopes
    Published at June 6th, 2008 at 12:33 pm

    Paula,

    O meu medo do comunismo não está dependente do regime actual em Portugal.

    Em segundo lugar, não é verdade o que dizes. O comunismo é revolucionário e reaccionário e não um processo normal evolutivo. O comunismo nasce abruptamente, da mesma forma que o nacional-socialismo nasceu com Hitler ou o comunismo bolchevique surgiu na URSS.

    Por fim, devo confessar que os 20% do PCP e do BE me assustam. E muito.Tal e qual me assustariam 20% do PNR.

  8. paula
    Published at June 6th, 2008 at 2:25 pm

    Ouve, eu só te disse que tens mais probabilidade de um regime totalitário de direita vingar do que um do esquerda. Sim, os regimes podem surgir abruptamente, mas só vingam se houver pessoas que o confirmem.
    Às vezes pergunto-me porque continuo a comentar o que dizes: achas mesmo que a postura do PNR e o extremismo que tem se compara ao BE ou ao PCP?
    Chamar o BE ou PCP de extrema esquerda é de bradar aos céus… ou rir à gargalhada.

  9. mlopes
    Published at June 6th, 2008 at 2:47 pm

    Sim Paula, fôlgo em saber que o PCP te consegue enganar — tanto que acreditas que não é extrema-esquerda.

    É precisamente disso que tenho medo — a aparente moderação dos partidos de extrema-esquerda, que é tudo menos verdadeira.

    Ao menos com o PNR sabemos perfeitamente o que eles valem e os valores por detrás.

    Vai ler uns livros de história, principalmente dos grandes inspiradores comunistas como Lenine, Kant, Marx, Engels, Mao ou Fidel Castro e depois diz-me o quanto é que o discurso deles diferia do actual discurso do PCP (e, em menor medida, do BE). Espera, eu respondo. Nada. Até chegarem ao poder…

  10. Mind Booster Noori
    Published at June 6th, 2008 at 11:15 pm

    És cómico. Pões o PCP à esquerda do BE, comparas o posiciconamento do PCP à esquerda com o posicionamento do PNR à direita… Nem quero saber onde colocas o PCTP/MRPP ou o POUS!

    Achas, sozinho, que quem acha que o PCP menos à esquerda que o PNR à direita está “a ser enganado”. Eu cá acho que quem anda aqui enganado és tu. Mas - como com qualquer radicalista, julgo que discutir isso contigo não valerá de nada: estás certo de teres a verdade, de estares certo, porque sim: e mais do que isso sabes que ninguém te demoverá. Serve. Chega-me. Mas permite-me a assertividade que usas naquilo que vou dizer: *estás enganado*.

  11. mlopes
    Published at June 7th, 2008 at 2:29 pm

    Marcos,

    Permite-me corrigir-te. Não estou certo porque estou certo. Estou certo fruto do trabalho da razão, que ainda gosto de usar na concepção da minha argumentação. E não fruto de um qualquer ímpeto que me fez acordar e não gostar do PCP.

    E o PCP sempre foi um partido de extrema-esquerda. Não significa, contudo, que não haja ainda pior. Sim, já agora, permite-me o uso desse termo, nos direitos que me consagra a liberdade de expressão. Ou será que a teria com o comunismo? China, URSS, Coreia do Norte, Cuba entre outros dizem-me que não.

    Ah, mas espera.. esses não são países comunistas, pois não? Devo *estar enganado*.

  12. adrelina
    Published at June 14th, 2008 at 9:48 pm

    estranho teres esse pensamento. como que uma perda de individualidade face à ideia comunista, penso o contrário.

    e falaste de leitura de alguns livros ali à paula, sugiro que leias algo de Jean-Paul Sartre. sim, pode-se muito bem dizer que ele era comunista. ele era.
    mas a leitura de obras de um dos simbolos do existencialismo poderá dar-te toda uma outra ideia, que não a que tens de momento sobre isto.

  13. mlopes
    Published at June 14th, 2008 at 9:59 pm

    adrelina,

    Eu sempre estive e estou aberto a ler tudo o que de interesse, principalmente aqueles que vão contra a minha ideologia, como forma de a questionar.

    A primeira vez que senti um distanciamento profundo ao comunismo foi precisamente quando li o manifesto comunista, versão abreviada, do Engel.

  14. adrelina
    Published at June 14th, 2008 at 10:18 pm

    pode ser tudo uma questão de compreensão/interpretação.

  15. mlopes
    Published at June 14th, 2008 at 10:30 pm

    adrelina,

    Claro. Aliás, esse é o motto da troca de comentários — a compreensão/interpretação/percepção daquilo que é o PCP.

    Pessoalmente, acredito que percebi perfeitamente e interpretei correctamente o manifesto marxista-leninista e discordo categoricamente dele.

    Ou será que existe alguma mensagem subliminar do mesmo que eu não tenha compreendido?