Ironia de Cônego de Melo
- Published May 3rd, 2008 in Política
É tão irónico que os deputados do Bloco de Esquerda considerem uma indignação e vergonha a homenagem prestada a Cônego de Melo por este ter alegadamente feito parte de redes de extrema-direita, quando a vasta parte dos partidos constituintes do Bloco de Esquerda (como a UDP) faziam parte do PREC e foram responsáveis pela invasão e destituição de propriedade privada entre muitos outros delitos tão ou mais graves. E só não foi pior porque foi possível impedir a implantação de uma outra ditadura.
Ao menos o PCP foi coerente, sabendo que aliás também homenageia Cunhal e Otelo, votou contra mas por lá ficou.




Uma coisa é atentar à propriedade privada outra é atentar à vida de alguém. É um ultraje e humilhante para o estado de direito homenagear assassinos no Parlamento.
Cônego de Melo foi decretado criminoso? Foi sequer constituido arguído? Foi sequer a um tribunal?
E já agora, quando o PREC tentou a invasiva para implantar um regime comunista, ia-o fazer sem baixas humanas? Aliás, não é precisamente esse o motto do comunismo, que há baixas que se aceitam pois são em nome da revolução?
Vergonhoso é atirar pedras quando se tem um telhado de vidro. Ou melhor, quando não se o tem.
P.S. - Eu nunca proporia a homenagem no Parlamento de Cônego de Melo visto que há bastantes mais líderes episcopais e não só que mereceriam ser homenageados e também não o foram. Mas, estando feito, parece-me inadmissível a atitude do BE.
Não sei o que é alguém ser decretado criminoso… E depois não percebo essa insistência em falar do BE quando metade da bancada do PS saiu da sala.
Ser decretado criminoso é ser condenado, coisa que não aconteceu.
Quanto ao BE, refiro-o porque foi claramente o que saíu em peso.