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Até a Segurança Social é centralizada!

É impressionante como tudo neste país está centralizado em Lisboa. Até os sistemas de informação.

Hoje um amigo meu foi a uma repartição da Segurança Social tentar pagar o devido. Qual não é o seu espanto quando o informam que não o pode fazer porque, e cito, “o sistema em Lisboa está em baixo”.

Ok, muito bem, o sistema está em baixo. E quando um dos servidores do Google está em baixo? Todo o mundo pára? Não. Existem vários servidores dispersos por vários pontos que garantem a redundância.

É incrível como fica todo um país suspenso por um servidor cito em Lisboa.

P.S. - Claro que isto não tem nada a ver com Lisboa, o servidor poderia estar noutro sítio qualquer. Mas é tanta a centralização e a crença que tudo deve passar por Lisboa que nem passa pela cabeça dos políticos portugueses que há forma de garantir o serviço quando, imagine-se, é ponte em Lisboa.


8 Responses to “Até a Segurança Social é centralizada!”

  1. Jorge Constâncio
    Published at May 3rd, 2008 at 7:50 pm

    Nota-se que o bom senso reina no senhor Rui Lopes, contudo, e sendo formado em engenharia informática, devia estar ciente dos problemas da sincronização de serviços distribuidos. Talvez antes de fazer uma crítica pública deva investigar, saber as razões das decisões e depois não fazer apenas posts sem explicitar os seus fundamentos.

  2. mlopes
    Published at May 3rd, 2008 at 9:27 pm

    Caro Jorge,

    Antes de mais, desconheço quem seja o Rui Lopes.

    Em segundo lugar, os problemas de sincronização e tudo o resto são tão grandes entraves como o são fazer um carburador de um carro. Ou seja, o que é que pretende mesmo dizer?

    Pretende dizer que como existem obstáculos, o melhor é deixar tudo como está? Que a Segurança Social funciona melhor assim, ou seja, quando em Lisboa está em baixo, todas as repartições devem parar? Que o Governo não tem 1 ou 2 milhões para pagar a quem consiga implementar um bom sistema distribuido?

  3. Fernando André
    Published at May 3rd, 2008 at 9:35 pm

    Sumarizando a minha opinião não é nada de impossível de fazer com muita vontade de partir pedra consegue-se bons resultados, e tempo. É preciso tempo, as aplicações também assentam em plataformas ultrapassadas(acho eu) e por isso de difícil expansão.

  4. mlopes
    Published at May 3rd, 2008 at 9:42 pm

    Fernando,

    Naturalmente que há entraves. A questão é que da mesma forma que cultura promovida pelo Estado deveria percorrer todo o país, também este tipo de sistema não deverá ser centralizado a sua concepção deverá sempre ser efectuada tendo em conta a distribuição dos serviços para que da próxima vez que eu vá perder o meu tempo a pagar impostos ao Estado não receba um “volte cá mais tarde, o servidor em Lisboa está em baixo”.

    Se ainda me indemnizassem pelo tempo perdido…

  5. Jorge Constâncio
    Published at May 6th, 2008 at 9:28 am

    Peço desculpa por trocar o seu nome, queria mesmo escrever “Mário Lopes”.

    O problema de sincronização que falo é o da sincronização de dados após a falha de um servidor ou falha de comunicação de dados. Em outras palavras, se por exemplo há uma falha de comunicação entre um servidor do Porto e o de Lisboa, alguém executaria uma acção no servidor do Porto, como por exemplo, notificava a segurança social que estava desempregado, e ao mesmo tempo, notificava a segurança social em Lisboa que estava de baixa. Como é que acha que depois os dois servidores se iam chegar a acordo sobre quais os dados correctos? Não é possível estar de baixa e desempregado ao mesmo tempo e não é possível escolher a melhor opção.

  6. mlopes
    Published at May 6th, 2008 at 9:31 am

    Caro Jorge,

    Essa situação parece-me absolutamente bizarra. Se alguém anda a notificar dois estados distintos em dois balcões distintos e geograficamente separados da Segurança Social é porque tem problemas sérios. Ainda assim, o problema tem solução simples: usar sempre o último estado.

    As questões técnicas não são desculpa para continuar com o país em morte lenta e dolorosa fruto do cancro da centralização.

  7. Jorge Constâncio
    Published at May 9th, 2008 at 11:53 am

    Não é bizarra, é um problema comum de sincronização de dados, sincronizar dados entre sistemas distribuídos.
    A solução do último estado não funciona porque apenas é possível saber qual é o “último” estado se as acções são atómicas (atomic) e isso só possível se só for possível executar uma acção de cada vez, o que não é possível em caso de dois sistemas a actuar em separado.

    A única “solução” é em caso de acções que causem conflitos ignorar essas acções mas nesse caso era preciso dizer às pessoas algo como “isto fica aqui mas é apenas provisório, daqui a X tempo venha verificar a situação”.

  8. mlopes
    Published at May 9th, 2008 at 12:15 pm

    Já agora, em que situação é que uma pessoa dá fisicamente duas informações distintas em balcões a 300 kms de distância?

    Quanto à questão da sincronização, isso está errado. Admitindo esse bizarro exemplo em que duas informações distintas são dadas em balcões a 300kms de distância e o sistema está em baixo, ambas as informações ficarão guardadas localmente em cada servidor. Compete depois ao sistema de sincronização primeiro perceber se são exclusivas. Se não forem, executa as duas e está feito. Se forem exclusivas, ou executa-as pela ordem do timestamp para ficar tudo registado ou então executa a última apenas.

    Não há desculpas técnicas para um sistema desses não existir. Já se gastou bem mais dinheiro em sistemas bem mais simples de conceber.