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NÃO à privatização da RTP

Observando todos aqueles que estão demasiadamente à esquerda ou demasiadamente à direita percebe-se que a sua obsessão com a sua ideologia leva a que estes por vezes percam o seu sentido crítico. Da mesma forma que um partidário de extrema esquerda defende tornar tudo público e um Estado com influência em todos os sectores, um partidário neoliberal ou de extrema direita procura um Estado o menos interventivo possível e com todos os sectores económicos sujeitos à privatização e a um mercado livre.

Quando observamos a partir do centro, sem que haja qualquer preferência pelo regime público ou privado, é fácil contemplar uma série de demagogias de índole ideológica mas com um nulo sentido crítico.

Serve isto de prefácio para o facto de Pedro Passos Coelho, candidato à Presidência do PSD, defender a privatização da RTP. Nunca ouvi os seus motivos para tal, excepto o eterno mito finançeiro. Esquece-se porém que a RTP está a caminho da auto-sustentação (e não o está em pleno porque a RTP2 não tem publicidade) e com um resultado líquido negativo de apenas 2 milhões de euros para o 1º trimestre de 2007 em comparação com o período homólogo de 2006. Comparativamente com o ano 2000, são 196 milhões de euros a mais de resultado líquido.

Ignorando a questão financeira, surgem então apenas desvantagens à privatização. Os privados exercem toda e qualquer influência propagandística que desejarem; os partidos políticos perdem igualdade de tempos de antena ou mesmo direito aos mesmos; as notícias podem ser ajustadas a bel prazer da estação televisiva, etc..

Considerando que a RTP caminha no sentido da auto-sustentação e apresenta-se como a estação televisiva de melhor qualidade actualmente em vigôr, não posso senão suspeitar de interesses económicos e de uns cheques ao portador prontos a assinar àquele que privatizar a RTP.


5 Responses to “NÃO à privatização da RTP”

  1. Vítor Pires
    Published at April 23rd, 2008 at 2:14 am

    Desculpa mas “as notícias podem ser ajustadas a bel prazer da estação televisiva” em contraponto a…?

    Não era suposto as redacções darem a *sua visão* (tendencialmente) imparcial (ou factual?) das notícias? Têm portanto de “ser ajustadas a [seu] bel prazer” seja qual for a administração (privada ou pública).

    Já agora, tendo em conta a qualidade da RTP2, sou totalmente a favor da manutenção da administração no domínio público. Não por questões meramente financeiras mas antes porque se fosse privatizada duvido que a grelha não caminhasse para sessões contínuas de “Morangos com Açucar” alikes! Os marketeers não perdoavam.

  2. Bruno Miguel
    Published at April 23rd, 2008 at 3:02 am

    Uma forma de ajudar a RTP a dar lucro seria a diminuição dos ordenados absurdos que alguns colaboradores do canal recebem.

    Eu não concordo com a privatização da PT, não por razões económicas, mas porque acho que devemos manter um canal que não tem que ceder aos interesses de quem paga publicidade para não perder essa receita.

  3. mlopes
    Published at April 23rd, 2008 at 9:40 am

    Vitor,

    A adulteração de notícias não é uma referência a mentiras. Mas pequenas nuances ou juízos de valor que são colocados lá para o meio para alterar ligeiramente a interpretação que alguém possa dar às notícias. Ou então pura omissão, que acaba por funcionar de forma semelhante. Isto é um cenário muito frequente na FOX News do republicano Rupert Murdoch.

    Bruno,

    Não acredito que os salários devam ser diminuidos. Caso isso aconteça essas pessoas irão para a SIC ou para a TVI, perdendo a RTP as melhoras pessoas.

    Os salários e, na essência, o dinheiro, são o juizo valorativo de valor (passo a redundância) da pessoa. Se alguém está disposto a pagar muito por essa pessoa é porque ela é boa. Assim sendo, a RTP pode e deve continuar a pagar bons salários, atraindo assim os melhores.

  4. José Faria
    Published at April 23rd, 2008 at 11:56 am

    Honestamente, se as pessoas não se organizarem e começarem a protestar contra estes absurdos o nosso país vai andar de palhaçada em palhaçada.

    Por exemplo, a questão da não publicidade na RTP2 reflectiu-se em muito na qualidade das séries que compram, dado que não investem porque não podem ir buscar dinheiro à audiência que obtêm.

    Isto vê-se, nas séries que eles compraram que foram canceladas por falta de audiência e cujos episódios nem foram todos gravados. (ex 6 graus) Ou na hora National Geographic que repete e repete sempre o mesmo.

    É preciso ver que Luís Filipe Menezes quis dar a publicidade da RTP aos outros canais. Obviamente que este tipo de manobras visa influenciar as redações sobre o tipo de cobertura que devem dar a cada partido.

    Por isso é que muitas vezes se vê uma grande desinformação como aconteceu no caso das urgências e agora com a falta de médicos cada vez mais a apertar porque as suspenderam está tudo calado.

    Por isso é que em vez de flexisegurança e meritocracia, vão apertar ainda mais a situação para obrigar as empresas a meter tudo no quadro. Mas se fizessem isso no futebol o país parava e virava uma guerra cívil.

  5. Mind Booster Noori
    Published at April 23rd, 2008 at 2:57 pm

    Não posso deicar de apelar a que vejam primeiro as contas da RTP antes de falarem de certas coisas - como por exemplo o uso de publicidade. Vejam, por exemplo, as contas da RDP, que - sem publicidade - sempre se manteve com resultados líquidos positivos (pelo menos até 2006).