TakeOff 2008 - Resumo para Tótós
- Published April 20th, 2008 in Crónicas, Empreendorismo
A segunda edição do evento TakeOff, organizado por Alcides Fonseca e Sérgio Santos, decorreu este Sábado passado, dia 19 de Abril. É um evento pequeno e de modesta participação se comparado com outros eventos internacionais, mas é uma iniciativa enorme e louvável num país onde o empreendorismo é reduzido e, como testemunhado por alguns dos empreendedores, desincentivado por muitos.
Apresentações
O foco era naturalmente nas iniciativas empreendedoras na área das tecnologias de informação e o painel de apresentadores fazia jus. A primeira apresentação esteve a cargo de Mário Zenha-Rela, entre muitos outros cargos, director do IPN (Instituto Pedro Nunes) que serve de incubadora a startups. Infelizmente perdi grande parte da apresentação devido ao mau tempo, mas cheguei a tempo de ouvir um pouco sobre o funcionamento da incubadora do IPN. Custa-me a perceber como é que uma startup dará 30% do seu capital a troco de uns quantos metros quadrados. Iniciativas como a do André Ribeirinho da Adegga revelam que com força de vontade o espaço é secundário.
A segunda apresentação foi do Vitor Domingos, mentor do Print.Sc e empreendedor. Veio falar um pouco da sua experiência em obter seed capital e de todo o processo. O Sérgio Veiga da 9idiots.com veio dar uma interessante continuidade à conversa da obtenção do capital de risco, explicando a pormenor o seu caso específico e como foi importante não ter desistido, mesmo perante tantas contrariedades.
Seguiu-se o Bruno Pedro da tarpipe, que veio apresentar o seu produto, uma “facade” para outros serviços web de conteúdos, permitindo através de um ponto único propagar o conteúdo para os demais serviços a que o utilizador também esteja inscrito.
Depois do almoço seguiram-se apresentações também muito interessantes. O André Ribeirinho veio explicar a sua metodologia de trabalho e como consegue coordenar com os restantes sócios do projecto. Explicou também que não recorreu a capital de risco, sendo o projecto inteiramente financiado pelos membros do projecto e dividido segundo uma percentagem fixa e uma divisão 80/20. Foi pena o André não ter oferecido um Reserva de Duas Quintas de 2002 para bebermos enquanto ouviamos a sua apresentação :-)
A apresentação seguinte foi do Mário Valente. Embora tenhamos uma visão política consideravelmente distinta, o seu estilo assertivo, humorístico e confiante de apresentação faz exactamente o meu estilo. Gostei muito e foi uma lufada de ar fresco por ter marcado a diferença. O sumo da apresentação adveio dos casos caricatos que ocorreram nos seus projectos e ficou também a nota que muitas vezes o conhecimento académico é sobrevalorizado.
As últimas duas apresentações foram do Celso Martinho do SAPO (que aliás tinha bastante gente presente a representar) e do Francisco Banha, fundador da Gesventures. O Celso veio falar um pouco da história do Sapo. O seu contexto com o empreendorismo advém do facto de ele ter sido um dos sócios fundadores do projecto quando este foi separado da Universidade de Aveiro. O Francisco Banha falou um pouco dos capitais de risco, tipos de capitais de risco entre outros assuntos menos tech-oriented, mas teria sido interessante lançar alguns desafios à vasta plateia.
A conferência terminou entretanto, excepto para o pessoal do Ruby PT que se reuniu numa jantarada. Aos resistentes do jantar, sobrou ainda tempo para estar num amena cavaqueira com o pessoal da WeBreakStuff e da ClusterCube.
Aspectos Positivos
No global a TakeOff 2008 foi muito boa. Ajudou o painel e ajudou a plateia que continha muita gente conhecida e bem disposta. Foi muito bom reencontrar pessoas e conhecer outras das quais ouviamos falar ou acompanhávamos os blogs.
A promessa cumprida do Alcides (as rodadas de cerveja, e ainda por cima Super Bock!) também foi um momento alto, assim como coffee breaks bem recheados.
Aspectos Menos Positivos
Não poderia escrever aspectos negativos porque estaria a ser injusto. A minha única recomendação seria voluntariamente promover o network, reservando uma hora explícita para o efeito, como aliás acontece em muitas conferências. Fica a sugestão para o próximo ano.
Miscellaneous
Uma nota curiosa. Vi 3 iPhones, 1 portátil com Windows, 3 com Linux e cerca de 12 Macs. É engraçado observar um shift claríssimo da comunidade geek para a plataforma Apple, coisa que há uns anos era absolutamente impensável (recordo-me das conferências inundadas de Thinkpads, HPs ou Dell a correrem apenas Windows ou Linux).
Nota Final
Foi um evento muito bem conseguido e muito por culpa dos organizadores mas também de toda a plateia que deu um ambiente descontraído sem quaisquer conflitos. Não se divergiu muito e existiram conversas muito frutíferas.
Para o ano há mais. Até lá.




Concordo perfeitamente com a questão da hora para o networking. No meu caso, cheguei tarde (já a apresentação do VD estava a começar) e não pude ficar muito tempo após o final (apenas cerca de 10, 15mins) porque tinha de voltar para o Algarve com o resto do pessoal que estava comigo (e era mais por mim do que por eles…stuff to do).
Ainda consegui conhecer algum pessoal nos coffee breaks mas no almoço fui um dos quantos que teve o azar de ficar à parte da mesa principal.