Prova Oral: Reprovado!
- Published April 15th, 2008 in Soft. Livre, Portugal
Intercalado entre bons programas de música, começa às 19h na Antena 3 — das melhores rádios portuguesas — o programa Prova Oral do Fernando Alvim.
O de hoje, nem de propósito, foi sobre “Software Livre”. O facto de se falar de Software Livre num programa generalista despertou claramente o meu interesse, acrescido também pelos sonantes convidados: Fernando Batista (Marketing Manager Sybase), Rui Ribeiro (Professional Services Manager Sybase) e Paulo Trezentos (Director Técnico da Caixa Mágica). Com títulos tão sonantes, quem não ficaria impressionado?
Começa mal.
Os nomes são sonantes mas não são representativos. Primeiro, por constarem duas pessoas da mesma empresa, a Sybase, empresa esta que tem uma relação por esclarecer com o Software Livre. Já o Paulo Trezentos teria algo mais a dizer, não tivesse sido a sua reduzida participação.
Assim que Alvim fez a drástica questão “O que é o Software Livre?”, percebeu-se imediatamente que os convidados estavam ali para falar de tudo menos de SL. Um dos convidados da Sybase sai-se com uma pronta explicação: “Há duas diferenças! A primeira é que é gratuíto, a segunda é que o código é aberto”.
Ora, o Software Livre não tem de ser gratuito. Pelo contrário. O Software Livre pode ser e é comercializado. Não é necessariamente verdade que o Software Livre seja gratuito. Veja-se o caso do MySQL, em que para fins comerciais é necessário pagar uma licença (embora pouca gente o faça, refira-se). Ou já agora a Caixa Mágica, vendida a retalho em grandes superfícies ou em contratos adjudicados ao Estado.
Por outro lado, a questão do código ser aberto. Embora isso seja verdade, o que é verdadeiramente importante para os ouvintes da Antena 3 não é ser aberto. Sabem lá eles o que é ser aberto. Seria mais produtivo e informativo listar quais as liberdades que gozam os utilizadores de SL, nomeadamente a possibilidade de distribuir o programa aos amigos ou alterá-lo (e aqui referir que podem pagar a alguém para que o altere de forma a satisfazer as suas específicas necessidades).
Finda esta questão, a interlocutora (que agora não me ocorre o nome), dispara uma questão que assassinou qualquer possibilidade da conversa ter um desfecho produtivo: “Qual é a diferença entre um virus e um trojan”.
E mais grave que a pergunta totalmente despropositada, o facto de os convidados a terem respondido. Poderiam perfeitamente terem-se esquivado.
A festa continuou. Entre dar o Firefox como alternativa ao Outlook (sugestão da locutora), duvido que alguém tenha ficado esclarecido ou que, corajosamente, tenha ouvido o programa até ao fim.
Reprovado! Fica, no entanto, a intenção. É o que conta, certo?




Para quem quiser ouvir o programa
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=1070
Caro Mário,
Gostei deste artigo, porém penso que não tenha compreendido bem o que fomos fazer ao programa Prova Oral. O nosso objectivo foi apresentar o evento que todos os anos organizamos, diga-se de passagem que quer a Sybase quer a Caixa Mágica são os únicos que desde há 6 anos temos tido a coragem de promover um evento sobre Tecnologia Aberta.
Quanto à posição da Sybase no Open Source, deverá aceder ao site do evento e ver a apresentação que explica essa ligação.
Aceito todas as críticas que possam ser efectuadas, pois encontramo-nos numa comunidade aberta. Porém pergunto o que tem feito de visível e mensurável para promoção do Open Source? (Nós fazemos todos os dias um pouco mais e conseguimos colocar o open source em todos os orgãos de comunicação social e criámos “agenda” na opinião pública sobre o assunto)
O problema do open source em Portugal continua a ser a existência de radicalismos e alguma prepotência de querer manter o tema nas calendas gregas dos técnicos. O open source tem de chegar ao comum dos mortais, e eu continuarei a prosseguir esse objectivo.
Caro Fernando,
Antes de mais, obrigado por responder à crítica. Revela que tem a frontalidade e coragem para o fazer, algo um pouco em falta nos dias de hoje.
Quanto ao “motto” do evento, penso que isso não ficou então correctamente esclarecido. O que eu ouvi o Fernando Alvim a falar foi apenas de um programa sobre Software Livre onde se explicaria o que era Software Livre. Essa foi a primeira grande referência ao Prova Oral. Se a intenção do programa era publicitar o evento de Software Livre promovido pela Sybase e Caixa Mágica, isso deveria ter sido imediatamente esclarecido.
Relativamente à promoção, eu não sei se isso por si só basta. A verdadeira questão é se trás alguma coisa de novo. Há empresas do mesmo ramo que têm um trabalho efectivamente visível, como é o caso da MySQL. Mas admito a possibilidade de ser eu que desconheço esse trabalho. E, assim sendo, fica a questão, não será uma falha da Sybase na divulgação das suas actividades pela comunidade?
Quanto ao que eu faço pelo Software Livre, é importante antes de mais referir que eu não tenho um capital de 2.48 biliões de dólares como tem a Sybase. Não obstante, poderá consultar parte do que já fiz no meu CV, disponível na barra direita deste blog (embora desactualizado, falta-lhe muita coisa recente), entre contribuições para projectos como Ruby, Rails, entre outros.