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Porquê que a RTP deve continuar serviço público

A ala liberal do CDS/PP sempre defendeu a privatização do serviço estatal de televisão (RTP). Na boa verdade, a ala liberal defende a privatização de tudo. Neste caso, é usado o argumento de que um serviço estatal televisivo é mais uma despesa para os contribuintes, independentemente de usufruirem deste ou preferirem assistir à TVI.

Eu vou tentar argumentar porquê que a RTP deve ser imperiosamente mantida como serviço público.

Na primeira guerra mundial, ainda antes das televisões serem inventadas, distribuiam-se panfletos como forma de propaganda. Isto acontecia em paralelo com a rádio-difusão, vulgo rádio, que se tornava cada vez mais num instrumento de propaganda. Hoje em dia, a televisão é o maior centro de propaganda.

Uma televisão privada não tem uma agenda isenta a cumprir. Veja-se o caso da Fox News cujo dono é Rupert Murdoch. Murdoch é republicano e conseguiu transformar o canal Fox News num instrumento da sua agenda política, censurando notícias sobre mortes no Iraque ou negando a presença de determinados candidatos presidenciais a debates emitidos pela estação televisiva. Qual é o limite ético de uma televisão privada? Nenhum.

Uma televisão estatal numa sociedade democrática e aberta é a única garantia da existência de um instrumento que cumpra as verdadeiras necessidades da população e não uma ascensão ao lucro ou o seguimento de uma agenda política. Uma estação pública dá, obrigatoriamente, igual oportunidade e tempo de antena a todos os partidos políticos. Uma estação pública não censura notícias nem recusa este ou aquele partido.

Uma televisão estatal é, portanto, um instrumento de propaganda idóneo que apresenta a informação à população sem a intromissão de factores exógenos a essa mesma informação. A não existência de um serviço público televisivo atribui excessivo poder aos privados, que controlam doravante a informação apresentada à população. Os EUA são um exemplo disso, da mesma forma que a China é um exemplo de um serviço estatal controlado. A diferença, teórica, é que a China é uma ditadura e os EUA não.


4 Responses to “Porquê que a RTP deve continuar serviço público”

  1. Daniel Marques
    Published at March 4th, 2008 at 1:48 am

    Eu até concordaria contigo Mário, não fosse o caso da RTP andar a ser instrumentalizada pelos sucessivos Governos.

  2. mlopes
    Published at March 4th, 2008 at 1:51 am

    Daniel,

    Consideremos que isso é verdade. Cada um de nós pode enviar uma carta ao provedor do cidadão explicitando o caso. Cada um de nós pode denunciar isso em blogs. Cada um de nós pode ir para a rua berrar.

    E se a RTP for privatizada? Como a Fox News que é um instrumento de propaganda republicana? Não podemos fazer nada.

    E o argumento do “muda-se de canal” é falacioso. Tendo em conta que não há muitas alternativas mais para quem não tem cabo, a escolha sendo diminuta leva a que as pessoas sejam forçadas a levar com essa propaganda.

  3. Daniel Marques
    Published at March 4th, 2008 at 2:37 am

    Tu estás sujeito a isso em todo lado, nos jornais, na Internet, etc, não é a RTP com a mais pura da informação que vai fazer algum efeito, como se fosse um oásis informativo rodeado de propaganda.

    As pessoas têm de ter a consciência intelectual de saber aquilo que estão a ver, não podem esperar que lhes apareça à frente a papinha já toda feita, é impossível. O tempo em que a ignorância reinava na população espero que já esteja ultrapassado desde há uns anos pra cá, e que se aperceba quando está a ser enganada.

  4. mlopes
    Published at March 4th, 2008 at 11:25 am

    Sou forçado a discordar Daniel. A informação deve ser isenta e imparcial. Para isso existem colunas e comentários políticos, onde se manifesta tendências e opiniões.

    Eu penso que em Portugal se tem conseguido essa isenção, com algums precalços pelo meio. Mas comparativamente a, por exemplo, a Fox News, nós somos mesmo um oásis de isenção. Em 7 meses que vivi nos EUA vi duas (2) notícias do Iraque e uma delas era do sucesso de uma operação qualquer americana.

    Quer se queira quer não, só te apercebes da propaganda quando tens acesso aos outros ângulos. Se só te derem aquilo, é naquilo que te acreditas.