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Carta aberta ao Dr. Rui Rio

Caro Dr Rui Rio,

Por força das circunstâncias e agora que termina mais um ano, gostaria de lhe remeter esta carta aberta. Permaneço na esperança que lhe chegará aos ouvidos. Perdão, aos olhos.

Votei em si nas eleições autárquicas. Conheço gente que o conhece há mais de 30 anos. Deposito em si toda e qualquer confiança no que concerne aos vectores da honestidade, verticalidade e na sua exactidão.

Também estou a par do que tentou instituir na Câmara do Porto. Precisamente essa exactidão e o correctismo do qual é pródigo e se orgulha. E muito bem. Mas, como já percebeu por esta altura, não é assim que as autarquias ou mesmo o país funciona. Esse correctismo seria perfeito numa mercearia ou num supermercado, mas não numa Câmara.

Vejamos Lisboa. 300 milhões de euros de dívidas e o que levanta a indignação é a oposição de um partido a um empréstimo. Ninguém quer saber porque foi criado um passivo de 300 milhões em dívidas. Imagine, ora, que esta situação tivesse passado no Porto. Assistiriamos a uma “Câmara Dourada” e V. Exª era, provavelmente, arguído. Em Lisboa, não. Eles podem. Lisboa, tudo pode.

Portanto, e dada a disparidade que existe não apenas no investimento como no controlo orçamental da Câmara de Lisboa face ao resto do país, lanço-lhe o repto para que alargue a corda ao correctismo. Há muitas obras que podem ser feitas na região do Grande Porto.

Há muitos edifícios que necessitam de ser demolidos, muitas casas que necessitam de ser reconstruídas. Muitos jardins que necessitam de ser remodelados. Clubes que merecem ser apoiados (compreendo a sua distância ao futebol, não acredito é que traga grandes dividendos. Somos um país de futebol, quer se goste, quer não). Teatros que necessitam de apoios. Concertos que precisam ser feitos. Instituições que dariam bom uso a capital. É preciso um pólo para premiar o empreendorismo. É necessária mais polícia e mais ordem.

Se não houver dinheiro para pagar isto tudo, não se preocupe — nada que um empréstimo não resolva.

Feliz Ano Novo.


7 Responses to “Carta aberta ao Dr. Rui Rio”

  1. Tiago Azevedo Fernandes
    Published at December 28th, 2007 at 7:04 pm

    Caro, a propósito da “santidade” de Rui Rio, era melhor passar a ler com atenção “A Baixa do Porto“. ;-)

  2. paula
    Published at December 29th, 2007 at 5:42 pm

    Entre as coisas que conheço do sr. Rui Rio conta-se, por exemplo, o facto de terem sido dadas ordens para não enviar informação para o Público, enquanto se mantinha para os outros media, só porque o sr. Rui Rio não gostou de uma peça que saíu no jornal.
    Também foi bastante conhecido quando o sr. Rui Rio quis “exterminar” os arrumadores de carros.
    É engraçado encontrar alguém com definições de “exactidão e o correctismo” tão diferentes das nossas.

  3. mlopes
    Published at December 29th, 2007 at 6:33 pm

    Paula,

    Se um artigo for escrito e não corresponder à verdade, também eu daria veto negativo para a sua publicação.

    Relativamente aos arrumadores, só tenho pena que o Dr. Rio Rio não tinha tido muito sucesso na remoção dessa praga da cidade do Porto.

  4. Tiago Azevedo Fernandes
    Published at December 30th, 2007 at 2:28 pm

  5. Tiago Azevedo Fernandes
    Published at December 30th, 2007 at 7:46 pm

    Lembrei-me agora: Devagarinho ;-)

  6. paula
    Published at December 31st, 2007 at 9:19 pm

    Mário, se um artigo não for verdade, exige-se um pedido de correcção e se este não for feito leva-se o jornal a tribunal até a verdade ser reposta. Se não se faz isto, talvez a o que foi escrito não tenha sido mentira.
    Não se deixa de enviar informação para um jornal.

  7. Levi Figueira
    Published at January 4th, 2008 at 4:53 am

    Epá! Bom artigo! :) Boa análise e boas sugestões!
    Concordo contigo e também votei nele!

    Abraço