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Portugal, Europe’s West Coast

Somos um país de costumes, tradições e fama, muita fama. Somos porteiros e mulheres-a-dias em França, criados na Suiça, bimbos em Inglaterra, pedreiros na Alemanha e padeiros no Brasil. O país mudou muito mas a nossa fama não muda desde 1960. Os Franceses continuam a achar que as mulheres portuguesas têm bigode.

Portugal é visto como um país do Sul. Um país de sol e praias, de subdesenvolvimento, associado a indicadores de miseréria.

Somos relegados para segundo plano. Estrangeiros aterram em Londres, vão ao arco do triunfo em Paris, comem umas ostras em Espanha e descolam de Itália. Portugal? What’s Portugal?

Ainda somos assim? Claramente, NÃO. Muita coisa mudou. Mas qual é a percepção que os outros têm de nós? Ainda se mantém? Infelizmente, SIM.

portugal.jpg

Proposto pela BBDO Portugal, empresa portuguesa de comunicação e marketing, está o conceito de Portugal: Europe’s West Coast. Trata-se de dissociar a imagem sulista que ofusca Portugal. Trata-se de rompêr com a má fama e imprimir características do West, especialmente da Califórnia. A mentalidade aberta de San Francisco, os vinhos de Napa Valley, as praias e ondas da costa…!

Toda esta imagem, na óptica da BBDO, tem de ser passada como uma bomba atómica. A sugestão deles é mudarem a bandeira. Eu apoio 200%. A bandeira portuguesa é antiquada. A nova bandeira dá cara lavada a Portugal, e a mudança seria certamente notícia em muitos países do mundo, dando um tempo de antena importante ao país.

Estes esforços não podem ser isolados. É preciso renovar as zonas históricas, é preciso mudar mentalidades, é preciso educar o pôvo. Mas com vontade e força, é possível. Basta imputar esses novos valores, essa imagem lavada às novas gerações.

Recomendo vivamente a leitura integral do documento com a proposta.


20 Responses to “Portugal, Europe’s West Coast”

  1. skizofrenik
    Published at December 20th, 2007 at 1:48 am

    Apenas discordo do teu artigo em dois pontos:

    ‘A bandeira portuguesa é antiquada. A nova bandeira dá cara lavada a Portugal, e a mudança seria certamente notícia em muitos países do mundo, dando um tempo de antena importante ao país’

    Sugerir uma nova bandeira portuguesa apenas para ser notícia e obter tempo de antena é, no mínimo, absurdo!

    ‘..é preciso educar o pôvo.’

    Lamento informar-te mas parece-me óbvio que o povo não quer ser educado!
    Dizem que dá muito trabalho..

    Cumps!

  2. Duarte Velez Grilo
    Published at December 20th, 2007 at 2:15 am

    Acho óptimo, e por acaso, até concordo com a mudança da bandeira.

    Já agora, sabias que a ideia desta campanha já tem vários anos? Só nunca foi aprovada pelo estado… mesmo neste momento, não sei se é uma iniciativa privada ou não.

  3. mlopes
    Published at December 20th, 2007 at 2:20 am

    Sugerir uma nova bandeira portuguesa apenas para ser notícia e obter tempo de antena é, no mínimo, absurdo!

    Concretiza. Define absurdo.

    Para mim é absurdo invadir um país dando como justificação armas de destruição maciça, quando na verdade era em busca do petróleo e para revitalizar o sector da construção dos EUA.

    Não acho nada absurdo. É uma forma de lavarmos a imagem antiquada de Portugal.

    Duarte,

    Por acaso desconhecia que a iniciativa tinha vários anos. Mas é de aplaudir, só é pena que não tenha sido levada a cabo há mais tempo. Afinal, quais são exactamente os impeditivos para levar avante esta ideia?

  4. HugoNS
    Published at December 20th, 2007 at 10:14 am

    Mário
    A estratégia de mkt é excelente, e à primeira vista faz todo o sentido, inclusivé a mudança da bandeira.

    Porém, para mim ela tem um grave problema, de criar falsas expectativas na mente dos “potenciais clientes”, ao querer vender Portugal, como um país do Oeste e não do Sul, quando na verdade é mesmo isso que somos. Infelizmente a esmagadora maioria do país contínua a ser tipicamente um país do Sul, chegando mesmo às vezes a parecer um país do norte de África.

    Primeiro temos que fazer as alterações necessárias ao produto, ou pelo menos dar início às mesmas, para posteriormente podermos mudar radicalmente o seu posicionamento. Caso contrário, no meu entender estamos unicamente a vender gato por lebre.

    Espero que tenhas percebido o meu ponto de vista.
    Abraço

  5. Paulo Pires
    Published at December 20th, 2007 at 11:01 am

    Eu gosto da nossa bandeira.. ficam bem as cores na camisola da selecção!! Por muito boa manobra de marketing que seja, não se esqueçam que acima de tudo somos um país com história..
    uma história de sangue (vermelho) e esperança (verde)!

    Já arranjavam era marketing interno :-)

    PP

  6. Claudio Franco
    Published at December 20th, 2007 at 11:16 am

    Até penso que poderiamos mudar a bandeira, mas não desta forma, sem sentido e apenas com um caracter comercial.

    Porra se formos por aí vamos pintar a Torre de Belem com uma cor mais actual é? Esquecer a história?

    Mas sim podemos mudar a bandeira, mas não com aquela proposta!

    Além disso, o efeito West Coast afecta quem? Os Europeus? Os Americanos?

    Eu penso que será mais os Americanos, até porque os Europeus querem é ir para o Sol… Sul… As praias de Espanha, Italia, Grecia e Algarve são para os Europeus no SUL. O Oeste tanto é Portugal, como Inglaterra, como França…

  7. andré santos
    Published at December 20th, 2007 at 11:40 am

    que estupidez de iniciativa.
    o que é preciso mudar são vocês, aquilo a que tipicamente se apelida de saloios.

  8. Duarte Velez Grilo
    Published at December 20th, 2007 at 12:04 pm

    Paulo, na verdade, as cores da bandeira também foram uma manobra de marketing da altura, para quebrar com as cores da monarquia, não têm qualquer significado em especial. Alias, as cores propostas têm mais a haver com a nossa história do que as actuais.

  9. andré santos
    Published at December 20th, 2007 at 1:10 pm

    além de saloios são cobardes?

  10. Manuel Tavares
    Published at December 20th, 2007 at 1:12 pm

    Acho uma proposta interessante, que pode ser discutida e debatida, embora não concorde com a alteração da bandeira.

    Pessoalmente, acho que é apenas uma manobra de cosmética para estrangeiro ver, e não sei até que ponto teria alguma eficácia. E gosto imenso da bandeira como é.

    Portugal é um país antigo, com muita história e sobretudo com uma alma própria. Não acho que isto tudo seja um “handicap” mas sim um factor de riqueza cultural, que ainda assim pouco conhecido. Por acaso recentemente saiu um artigo no New York Times ( fonte ) apontando Portugal como o 2º melhor destino turístico no Mundo.

    Os problemas de Portugal não são de imagem, são outros bem mais estruturantes e intrínsecos que correspondem ao nível de educação das gerações antigas, do nível de educação actual, do Sistema Nacional de Saúde, do valor médio de ordenado nacional, da condição financeira das famílias portugueas, entre muitos outros.

    Por isso acho mais correcto pensar Portugal de dentro para fora. E não me incomoda nada a ignorância dos países de fora em relação a nós.

    Em resumo: Portugal precisa de uma revolução cultural? Sim! Definitivamente!! Para isso seria fundamental mudar e criar uma imagem ( fachada)nova? Talvez, mas não acho que alterando a bandeira para algo mais europeísta tenha algum resultado práctico, senão nos afastarmos um pouco da nossa identidade e de lançar controvérsia!

    E os possíveis milhões envolvidos em mais uma campanha de marketing da BBDO para o estado português, seriam muito mais úteis em outras intervenções. Na saúde, na educação e em tudo o resto que nos afasta realmente da bandeira azul das inúmeras estrelas amarelas, onde a correspondente ao nosso país ainda brilha menos do que as outras.

  11. Manuel Tavares
    Published at December 20th, 2007 at 1:17 pm

    ” Por acaso recentemente saiu um artigo no New York Times ( fonte ) apontando Portugal como o 2º melhor destino turístico no Mundo. ”

    Correcção, foi Lisboa, o segundo melhor destino turístico.

    Portugal não é só Lisboa, nem o Porto. È todo o território, com todas as diferenças e diversidade cultural, gastronómica e paisagística.

    Achei importante corrigir-me e acrescentar mais isto.

  12. mlopes
    Published at December 20th, 2007 at 2:01 pm

    Manuel Tavares,

    Concordo e subscrevo num ponto do teu post: é importante uma mudança profunda, cultura e social. Sem qualquer dúvida.

    Mas, não obstante isso, há trabalho que já pode ser feito. Portugal é um excelente destino turístico, mas muita gente o subjulga porque, bom, é Portugal. Tenho amigos alemães que vieram a Espanha mas não a Portugal. Curiosamente, os que acabaram por vir a Portugal disseram que preferiram Portugal.

    Portanto, penso que existe, efectivamente, um estigma que nos persegue. E que já não corresponde totalmente à verdade. Há locais fantásticos em Portugal. O Algarve, a Eriçeira, a Madeira e os Açores, Nazaré, Porto, Lisboa, entre muitos outros. Existe é um desconhecimento disso por parte dos estrangeiros.

    Sinceramente, penso que a bandeira é alterada em grandes eventos, e claramente estamos a viver o evento Europeu. Não me sentia menos Português em ter essa bandeira, antes pelo contrário. A marca da Europa só me dá orgulho — e, claro, era também sinal de uma Europa unida.

    Há muita coisa que é apenas fachada. Mas o mundo funciona assim. Aliás, há quem lhe chame Marketing e tudo.

  13. mlopes
    Published at December 20th, 2007 at 2:03 pm

    Paulo,

    Antes do vermelho e do verde, sempre tivemos o azul e o branco. E com o passar da história, a nossa bandeira também foi mudando. Porque não mudar novamente?

    Pessoalmente, não nutro qualquer gosto pelas cores da bandeira actual. Acho a nova proposta bem mais engraçada.

  14. Freelance Samurai
    Published at December 20th, 2007 at 2:46 pm

    eu diria que nao deveria mudar novamente porque depois de perdermos a moeda, agora com a asae perdemos a gastronomia e perder também uma bandeira… ui…uiui…

  15. mlopes
    Published at December 20th, 2007 at 3:52 pm

    Sinceramente, tanto a moeda como a bandeira são apenas utensílios que aparentam história e cultura, mas não passa disso. Portugal está escrito nos anais da história e ninguém nos tirará isso.

  16. Manuel Tavares
    Published at December 20th, 2007 at 4:33 pm

    Mário,

    Portugal é um país rico em muita coisa, sim. Mas o facto desses lugares fantásticos se manterem ainda desconhecidos não acho que seja mau. O primeiro dos exemplos que apresentaste, o Algarve ( All Garve - marketing em acção) encontra-se completamente descaracterizado e saturado por construção e interesses imobiliários. E quanta gente não se governou a sério lá por baixo? E estão a fazer o mesmo para os lados de Tróia.

    No entanto admito a enorme importância a nível de dividendos económicos e de todo o bom “marketing” natural que a própria região algarvia conseguiu captar a fidelização sobretudo da população britânica.

    Mas a exploração do Turismo não é novo. Já há muitos anos que se diz ser um dos pontos fortes do potencial de Portugal. Mas aí não vejo nenhuma novidade. Apenas algum desenvolvimento.

    Mas o desenvolvimento cultural e social que referi já se encontra em acção, embora por passos curtos e lentos, mas vai. Temos a OFFF2008 para o ano, o que para mim já revela um grande sinal de mudança. Será pelo clima e paisagem? Também.

    Quanto à Europa, já pude ler num post anterior teu que és progressista e assumidamente europeu. De facto caminhamos cada vez mais para nos tornar-mos os Estados Unidos da Europa. E infelizmente para mim, socialmente estamos mesmo mais próximos, e receio isso. Sou europeu, e orgulho-me disso como tu, mas preocupa-me e entriste-se-me que a Europa como conceito, seja acima de tudo uma união económica, financeira e não social. O cidadão comum não é envolvido, não é esclarecido, e todas as decisões são passadas ao lado de todos os nós. O tratado de Lisboa deveria ser divulgado com maior abertura, maior esclarecimento e informação, e ser votado em todos os países, numa mesma data para que assim, se pudesse medir o pulso ao que é de facto a Europa. Porque para mim a Europa está refém das politiquices, dos subsídios, dos lobbys e de toda a maquinaria de bastidores e de poderes de influências, que já existe há muitos anos no nosso país.

    E nessa Europa não me revejo totalmente. E como eu existem muitos. E alterar a nossa bandeira para algo muito baseado na bandeira actual da União europeia não nos faz mais europeus do que já somos, e isso para mim é o fucral.

    Porque mesmo que a sociedade dos nossos dias pareça viver mais da imagem do que da essência, do parecer em vez do ser ou fazer, não existe realmente mudança, maturação e desenvolvimento. Até que ponto a proposta “All Garve”, apesar de recente, modificou alguma coisa?

    Relativamente à proposta da BBDO que tive a oportunidade de ver, de facto “absurdo” aplica-se aos 3 argumentos apresentados para a sua mudança. Não me convencem.

    Não me interessa mudar apenas a imagem de Portugal, interessa-me mudar sim Portugal para melhor. E mais próximo da real Europa.

  17. mlopes
    Published at December 20th, 2007 at 4:45 pm

    Manuel,

    Infelizmente a corrupção, a ganância e a falta de escrúpulos são males humanos. Razões pelas quais o comunismo e o neoliberalismo não funcionam. A Europa não é isenta disso.

    No entanto, penso que, comparativamente com os EUA, a Europa tem uma postura bem mais humanitária e social. Muito bem, poderia ser mais e penso que esse será o caminho.

    Mas não haja dúvida que Portugal imprime uma imagem e a Europa outra. Penso que é fulcral para Portugal associar-se a essa imagem Europeia e esperar que as pessoas boas combatam a corrupção, a ganância e a falta de escrúpulos. Aí, já depende de cada um de nós de ceder ao poder, ou não.

  18. Levi Figueira
    Published at December 21st, 2007 at 9:14 pm

    Mudar de penteado não muda a quantidade de inteligência de uma pessoa.

    Por muito que concorde com algumas ideias (esquece a da bandeira!), acho que não é por fora que se alteram as realidades.

    E já agora, não percebi a analogia do “absurdo” relativamente à guerra no Iraque! Sinceramente, acho que temos mais em que pôr os olhos, em coisas que realmente mudam o nosso dia a dia! Guerras haverão sempre, e no dia em que não as houver e houver uma falsa sensação de paz, eu fujo porque o pior está a chegar!

    Mário, compreendo o teu post, mas não compreendo como um “tipo” centrista, como assumes que és, de vez em quando lança desafios no mínimo “reaccionários”!

    Como comecei por dizer, concordo com algumas ideias, mas mudar a bandeira não me parece solução nem apropriado! Até acho que a facilidade com que alguns falam nisso revela um dos nossos maiores problemas: falta de amor pelo nosso país! Se houvesse mais amor ao país (e não à camisola!), se calhar muitas das coisas não aconteciam porque a consciência seria outra!

    Ah, e se falas na bandeira ter sido azul, também acho que nesse caso devíamos “eleger” um Rei! É que a bandeira MONÁRQUICA é que foi azul, nunca a republicana!

    Abraço

  19. mlopes
    Published at December 22nd, 2007 at 6:27 pm

    Levi,

    Quanto à analogia do absurdo: absurdo é uma guerra despropositada, injusta, que já matou mais de um milhão de iraquianos inocentes e tornou 6 milhões de crianças orfãs. Uma guerra em busca do petróleo e em resultado do imperalismo dos neoconservadores americanos. Isso sim, é absurdo. Comparado com isto, mudar uma bandeira é tão simples quanto mudar o penteado.

    Mas mesmo relativamente ao mudar o penteado, são alterações mais profundas do que aparentam. Mudar a bandeira causará certamente uma nova curiosidade por Portugal. “Afinal, porque mudaram eles a bandeira?”. Para além disso, a nossa bandeira actual é claramente feia e aparenta pouco progressismo, por muito subjectivo que isto seja, mas por extrapolação das bandeiras dos países progressistas. As aparências importam muito neste mundo globalizado. Pergunta aos chineses: compram tudo o que seja europeu, mesmo que seja mau.

    Quanto ao centrista, não significa que não seja reaccionário. Centrista significa que eu tanto posso ser reaccionário com ideais de esquerda como com ideais de direita, mas sou e serei sempre progressista e, quando necessário, reaccionário.

    Quanto à monarquia, não me parece relevante esse ponto.

    Abraço.

  20. Graza
    Published at January 15th, 2008 at 11:20 pm

    É possível melhorar a imagem da nossa bandeira, e o ano de 2010 em que comemoramos os 100 anos da República e 900 anos da Fundação da Nacionalidade simultâneamente é uma data excelente para isso. Editei um post sobre esta questão e fiz o respectivo link para este blog. Descobri também uma PetitioOnline que pode ser assinada e divulgada. Quem se interesssa pela questão deve promover e divulgar o debate..

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