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Economia de escala, globalização e a “long tail”

Muitos países estão a sofrer os efeitos da globalização e, geralmente, são os países mais pequenos os primeiros a sentir as repercussões de uma economia global. Portugal não é excepção.

A emanecipação de países como a China, India, Brasil, entre outros, permitiu que estes expusessem a sua economia e mercado a terceiros. Dado serem países em desenvolvimento com moedas muito fracas (no caso da China, propositadamente fracas) e mão de obra muito barata, tornam-se grandes atractivos para a importação.

Os portugueses ficaram a conhecer a noção de globalização com o fecho e mobilização de tantas fábricas para países como a República Checa, Brasil ou a própria China. Basta ir a Guimarães e constatar que fechou aproximadamente 70% da indústria textil que vigorava em 1995.

Como combater isto? Uma corrente afirma que o caminho é a especialização nos serviços. E eu concordo. Mas não basta. Nenhum país vive de serviços, e necessita de uma economia sustentada. Para tal, necessita de todos os sectores económicos, nomeadamente a produção. Como é natural, não pode competir em preço com, por exemplo, a China, pois o Euro está extremamente valorizado face ao Renminbi e a mão de obra é muito mais cara. No entanto, pode competir de outras formas. Como? Por factores que só uma economia de escala, preparada e estável possibilitam: qualidade e rapidez. Isto explica porquê que Portugal ainda é um parceiro muito importante da Inditex (holding da Zara, Bershka, entre outras marcas de roupa). Porque, ao contrário dos chineses, é muito mais rápida a entregar a mercadoria e geralmente apresenta uma melhor qualidade no trabalho.

Mas isto não chega. Podemos fazer muito mais. A globalização expôs algo que não existia anteriormente. Ou melhor, existia mas não era facilmente alcançável. O conceito de “long tail”. Este é um sector do mercado que é muito abrangente. Não é tão popular como os top hits, mas numa economia global pode ser igualmente poderosa. Significa isto que produtos que poderiam não funcionar num determinado mercado, funcionam noutro. Por exemplo, os telemóveis 3G são pouco utilizados na Europa (isto é, a sua principal funcionalidade, o uso da video-chamada) mas totalmente enraízados nos hábitos de vida dos japoneses — é prática comum fazerem a maior parte das suas chamadas em video-chamada.

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Isto significa que existem múltiplos nichos disponíveis para comprar os nossos produtos. A vantagem da globalização é que o público alvo está à distância de um click — algures na internet.

Portanto, o caminho para combater a globalização é saber tirar partido dela. Um exemplo prático: os chineses vêm o azeite como um produto de luxo. Existem champôs de azeite, sabonetes de azeite, perfumes de azeite, entre muitos outros produtos à base desta gordura vegetal. E Portugal é um produtor de azeite…

A Amazon também constatou a noção da “long tail”, quando reparou que a maior parte das suas vendas era de produtos obscuros e pouco conhecidos, produtos que estavam dificilmente acessíveis ao público (que era e é geralmente bombardeado com os hits que as empresas acham que vendem).

Portanto, a globalização pode ser positiva. Numa economia de escala com baterias apontadas para a “long tail”, é possível triunfar.

Let’s work!

P.S. - Nota para mim mesmo: lêr o livro “The Long Tail”.


2 Responses to “Economia de escala, globalização e a “long tail””

  1. vd
    Published at December 4th, 2007 at 1:44 pm

    P.S. - Nota para mim mesmo: lêr o livro “The Long Tail”.

    A esta altura não tem nada de novo, não vais perder nada.

  2. mlopes
    Published at December 4th, 2007 at 1:48 pm

    VD, obrigado pela dica.