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A moda do DJ

O DJing começou a sério em New York (sim, antes de Chicago) quando Francis Grasso tentou misturar as duas primeiras músicas de forma a que a batida sincronizasse e parecesse uma só. Até há pouco tempo, ser DJ era um desígnio apenas para alguns: aqueles que realmente amavam a música. Ser DJ envolvia perder horas e horas a ouvir vinyls e a pagar mais de 10€ por vinyl (que, geralmente, tem apenas uma música e adicionalmente em alguns casos, remixes dessa música). Era caro e só o fazia quem realmente gostava.

Hoje em dia o cenário é completamente diferente. Devido ao fenómeno da internet, é fácil obter qualquer música, por via legal ou não. Infelizmente, a maior parte ainda obtêm a música via ilegal. Por outro lado, deu-se o crescimento do CD e o consequente uso do CD como plataforma para o DJing. Inicialmente surgiu alguma relutância, mas existem vantagens inerentes: são mais fáceis de transportar (muitas gigs foram canceladas porque as malas de vinyls dos DJs eram perdidas nos aeroportos), é possível fazer loops e é possível ter várias músicas num só CD.

A consequência da banalização do suporte ao DJing é que surgiram muitos mais DJs. Aquilo que antes era selecto a quem realmente amava a música, agora está inundado de pessoas que apenas procuram a fama, dinheiro ou mulheres. Em Portugal, esta situação é bem visível.

Pessoas que não tinham nada a ver com DJing começaram a dedicar-se a isto. O Gonzo, ex-cantor da banda Excesso, Rita Mendes, actriz ou, recentemente (vai-se estrear próxima sexta, parece) Rita Egídio, modelo da Face Models, apenas para enumerar alguns. Era fácil adicionar mais uns quantos nomes, principalmente vindos da moda.

A maior parte deles (todos?) não o fazem por amor à música. Fazem porque deixaram de ter trabalho, porque dá dinheiro e porque dá notoriedade. A consequência é que nunca haverá paixão no trabalho que desenvolvem e, basicamente, o resultado será sempre o mesmo: uma sequência de músicas, populares na rádio, sem qualquer vibe.

Eu, que sou DJ em part time por paixão, só posso esperar que isto não passe de uma moda efémera.


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