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Após 6 meses nos EUA…

Fez em 27 de Agosto 6 meses que estou nos EUA.

EuropeanFlag_04.jpg

Podemos não ter uma economia tão forte como a dos EUA, mas já acabamos com a barbárie da pena de morte, temos um sistema universal de saúde por toda a Europa, podemos andar com uma garrafa de cerveja na rua. Após anos de batalhas, compreendemos que o caminho é a paz. Não precisamos de restringir a entrada nas discotecas a menores de 21 anos. Acreditamos que o Estado deve servir a população e não as empresas e o corporacionismo. Não corremos o risco do indivíduo mais próximo ter acabado de comprar a sua arma e a querer experimentar. Não torturamos pessoas nem invadimos países pelo petróleo. Preocupamo-nos com o ambiente e alguns países fazem da bicicleta o seu transporte diário. Os nossos pais não se têm de endividar durante 25 anos para nós andarmos na escola ou tirarmos um curso. Não invocamos o nome de Deus em vão, usando-o para justificar as maiores atrocidades que são cometidas. Temos transportes públicos e com preços subsidiados.

Temos da melhor cerveja do mundo (obrigado Bélgica, Holanda e Alemanha), dos melhores carros do mundo (obrigado Alemanha), do melhor vinho do mundo (obrigado Portugal, França e Itália), das melhores e mais apreciadas cozinhas do mundo (obrigado Itália), das mulheres mais bonitas do mundo (obrigado Suécia, Dinamarca, Finlândia e República Checa), e tantos outros.

Embora a Europa seja tudo menos perfeita, é quando nos distanciamos desta que sentimos um orgulho imensurável nela e nos valores que representa! Sentimos estima nos pilares basilares que os 25 países da Europa seguem. Aprendemos com os nossos antepassados e com as guerras que estão cravadas na nossa história.

Somos efectivamente livres, coisa que ninguém alguma vez poderá sentir aqui nos EUA.

Viva a Europa!


17 Responses to “Após 6 meses nos EUA…”

  1. Manuel Padilha
    Published at September 2nd, 2007 at 1:30 am

    Então o deslumbre da descoberta não foi suficiente para te fazer esquecer as virtudes da terra que deixaste…

    É bom… Mas quando é que nós - os que ficamos - vamos aprender a reconhecê-las enquanto delas disfrutamos?

    (obrigado pelo post, apesar de tudo faz-me sentir bem)

  2. mlopes
    Published at September 2nd, 2007 at 1:37 am

    Manuel Padilha,

    Infelizmente, penso que nunca. É preciso sair, viver, experienciar para sentir o saudosismo e dar-mos efectivamente valor ao que temos e ao que representamos!

  3. MJ Valente
    Published at September 2nd, 2007 at 1:52 am

    Mário –

    No geral concordo com o que dizes, mas… (há sempre um mas, não é?)… os EUA são um país dividido.

    Existem aqueles de que falas (religião e falta de preocupação com o ambiente, etc, etc), é um facto. Todavia, quando estive nos EUA, cruzei-me também com algumas pessoas muito auto-critícas em relação ao seu país; muito mais que a grande maioria dos europeus. Conheci pessoas para quem o ambiente está na fila da frente das suas preocupações. Pessoas para quem a religião pouco ou nada significa. Para quem as minorias devem ser defendidas.

    Na minha opinião, os EUA tem do melhor e do pior. Infelizmente o pior tem agora a maior visibilidade possível, no asno do seu presidente. (E na imbecilidade gritante da oposição que deveria ser e fazer melhor).

    Melhores tempos virão é o que se espera.

  4. MV
    Published at September 2nd, 2007 at 1:54 am

    “Isto é mto mau mas é para cá q venho trabalhar e ganhar dinheiro”.

    Ironico, cinico e esquizofrenico. Já para nao falar de pouco elegante. Imagina se um americano a trabalhar em Portugal dissesse mal do pais: o que irias achar dele?

    – MV

  5. mlopes
    Published at September 2nd, 2007 at 1:58 am

    MJ Valente,

    Sem dúvida. Aliás, eu estou na Califórnia, lugar onde muitos desses problemas que apontei são efectivamente levados em consideração. Também conheci muitos americanos que efectivamente desejam algo diferente, mas o Bush ter sido eleito duas vezes reflecte o que pensa a maioria e não as pequenas excepções que acabam por ser abafados.

    Mário Valente,

    Irónico, cínico e esquizofrénico é o teu comentário. Então eu venho trabalhar para um país (para uma empresa europeia, aliás) e isso impede-me de o criticar? É pouco elegante dizer o que penso e o que me apetece?

    Essas reminiscências do PNR fazem mal à cabeça.

  6. mlopes
    Published at September 2nd, 2007 at 1:59 am

    E já agora, sempre que ouço um emigrante em Portugal falar mal do país limito-me a perguntar em quê e como poderiamos melhorar.

    Depois há os outros que fazem cartazes a desejar boa viagem aos emigrantes…

  7. Dextro
    Published at September 2nd, 2007 at 2:09 am

    Eu nasci na Europa, cresci na Europa, vivo na Europa e dela não quero sair. Tenho orgulho em ser europeu mesmo que o meu orgulho em ser português esteja cada vez mais fraco mas o facto de viver nesta Europa dos 25 com as suas pedras basilares que tu tão bem invocaste dá-me o orgulho de viver numa das melhores regiões do mundo.

    Oiço imensa gente dizer que gostava de ir aos states e até mesmo muita gente dizer que gostava de viver lá mas todas essas pessoas sabem que lhes respondo com o exacto oposto: se há país no mundo que não quero visitar são os estados unidos. É uma cultura que em nada me cativa.

    Sou Europeu, orgulho-me de viver na Europa e considero-me um Europeu mais do que um Português.

  8. mlopes
    Published at September 2nd, 2007 at 2:13 am

    Dextro,

    Por uma pessoa não gostar de algo não quer dizer que não a deva visitar ou experimentar. Eu não me alinho com o actual Governo (ou com qualquer Governo que envolva Republicanos) dos EUA, mas é um país que já contribuiu muito para o mundo.

    O meu comentário não era tanto uma crítica aos EUA mas mais uma nota de valorização a tudo aquilo que nos passa despercebido e só nos apercebemos quando não temos.

  9. António Manuel Dias
    Published at September 2nd, 2007 at 10:18 am

    Cheio de saudades, hã?…

    Mas:

    “Temos da melhor cerveja do mundo (obrigado Bélgica, Holanda e Alemanha)”

    Pensava que a Super Bock, a mais medalhada de todas as cervejas, era portuguesa…

    “das melhores e mais apreciadas cozinhas do mundo (obrigado Itália)”

    Eu acho que se deve comer bem em todo o lado, desde que os cozinheiros sejam bons e estejamos habituados aos sabores. Aliás, a cozinha portuguesa é uma prova disso, tendo incorporado sabores de todo o mundo (basta dizer que o ingrediente principal de um dos nossos pratos tradicionais vem da Noruega…).

    “das mulheres mais bonitas do mundo (obrigado Suécia, Dinamarca, Finlândia e República Checa)”

    Cuidado, isso soa a racismo. As mulheres são bonitas em todo o lado (pelo menos em todos os países que visitei sempre vi mulheres bonitas). De qualquer forma, “beauty fades”, como dizem os americanos, e é melhor não nos esquecermos disso quando procuramos uma companheira.

  10. Luís Miguel Silva
    Published at September 2nd, 2007 at 11:32 am

    Olá Mário,

    Continuo a ter respeito pelos Americanos…pelo menos, pelas suas virtudes!

    Pelo melting POT que garante a essa nação a possibilidade de ser a que no mundo mais extremos atinge (pessoas BRILHANTES e pessoas MUITO MÁS).

    Quanto ao endividarem-se por 25 anos para as escolas..hmm…estarás tu a esquecer-te o que o nosso Paulinho Portas fez? Que nos endividou durante tantos anos? (não sei agora quantos exactamente).

    E a OTA meu amigo? E os interesses?

    Não sejas assim tão mauzinho! Se isso fosse assim tão mau não estavas aí! Estás é com saudades do teu país ;o)

    O que costumo dizer é o mundo é de todos (ou assim devia ser). E a nossa casa é onde estivermos no momento!

    Isso de ser Português, Espanhol ou Italiano para mim não tem grande valor. Só o és porque, em batalhas sangrentas e parvas, se dividiram países com fronteiras.

    Por exemplo, qual é a diferença de alguém que nasça na fronteira entre Portugal e Espanha? Meia dúzia de metros? :o)

    Hugz,
    Luís

  11. Dextro
    Published at September 2nd, 2007 at 12:31 pm

    mlopes,

    Não me parece que isso faça muito sentido. Quem está mal muda-se diz o ditado não é? Ora se uma pessoa não gosta de um determinado sitio é normal que não queira lá ir…

    Eu também não queria criticar os states no meu comentário, apenas expressar a minha opinião que, ao contrario de muita gente, não me sinto cativado em ir aos states :P

  12. mlopes
    Published at September 2nd, 2007 at 6:12 pm

    António,

    Estive indeciso entre incluir a Super Bock ou não. É a minha cerveja preferida (de longe), mas ninguém a conhece lá fora (não Portugueses), daí que tenha omitido a referência. O mesmo se aplica à cozinha. A mais famosa é claramente a Italiana, por muito que eu aprecie (e acredita, aprecio!) a Portuguesa.

    Quanto às mulheres bonitas, correcto. No entanto, nos países que referi há uma maior incidência de mulheres bonitas por metro quadrado :-)

    Luís,

    Qualquer governo comete erros. Basta ver o de Sócrates ou os que lhes precederam. Mas a escala a que esses erros são cometidos é incomparável. Uma coisa é querer construir um aeroporto num local que favorece uns quantos do negócio imobiliário, outra coisa é invadir um país para sustentar os contractors da segurança e da construção civil e ainda retirar petróleo de lá.

    Dextro,

    A questão é: como podes dizer que não gostas dos EUA se nunca foste lá?

    Os EUA proporcionam uma experiência muito interessante, até porque deve ser dos países onde conhecerás gente de todo o mundo e de todas as culturas. O que aqui é normal, em Portugal ainda olham de lado. Eu vejo as mulheres islâmicas vestidas da cabeça aos pés. Habituei-me (por muito que discorde) a respeitar a diferença e as opções religiosas e culturais. Em Portugal estaria toda a gente a apontar o dedo.

    Portanto, embora agora dê muito mais valor à Europa, a experiência dos EUA tem sido, até à data, positiva.

  13. MJ Valente
    Published at September 3rd, 2007 at 9:50 am

    @ Dextro –

    Devias lá ir. Não pela cultura, se assim não o desejas, mas pelas paisagens. Passei 3 meses no Oregon e digo-te que lá vi as paisagens mais fabulosas da minha vida (e olha que já viajei um pouco): Crater Lake, Redwoods (California), Summer Lake, Three Sisters (Cascade Mountains), etc. (Pôrra, até subi ao topo de uma montanha com 3,000m de altura!)

    O que mais me deixou de rastos foi a plena noção que a densidade populacional da zona oeste (e calculo que outras) é mínima comparada com a da Europa. Os parques naturais, que Theodore Roosevelt criou no séc XIX, são incríveis… passamos horas e horas sem ver viva alma. É um outro mundo.

    Quanto à cultura, houve sítios de que eu gostei: Portland é uma cidade muito interessante, com a maior (enorme) livraria independente do mundo, a Powells; New Orleans, antes do Katrina pelo menos, era inebriante… boa música porta sim, porta sim. Os festivais de música alternativa são gigantescos e muito aliciantes.

    E, claro, existem muitos sítios pouco ou nada interessantes. É como tudo. :P

  14. Paulo Pires
    Published at September 3rd, 2007 at 11:35 am

    com essa de q gajas boas é na europa mais a leste, creio que acabaste com qualquer possibilidade de “contraír” uma relação com qualquer indivíduo do sexo feminino, portuguesa, que leia blogs.

    so much for nothing! :-p

  15. Nuno Loureiro
    Published at September 3rd, 2007 at 4:53 pm


    Quanto ao endividarem-se por 25 anos para as escolas..hmm…estarás tu a esquecer-te o que o nosso Paulinho Portas fez? Que nos endividou durante tantos anos? (não sei agora quantos exactamente).

    Luis, O Mário disse os nossos pais e não país! Nos US é normal os pais abrirem contas de poupança mal o puto nasce só para poder pagar os estudos que são pagos a peso de ouro e se não poupas de início ou tens muito guito ou o puto só consegue um curso se conseguir uma bolsa de mérito.

  16. mlopes
    Published at September 3rd, 2007 at 7:01 pm

    MJ Valente,

    Sim, isso é algo que ninguém lhes tira. Os recursos naturais. Deslumbrantes.

    Paulo,

    Temos pena :-D

  17. ght
    Published at September 5th, 2007 at 3:28 pm

    E temos também leis onde a liberdade de expressão é restringida em nome do politicamente correcto como as actuais tentativas de proibir simbolos “Nazis” (suástica) e a proibição de edição do Mein Kampf na Alemanha.