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Hotel Rwanda

Este é o tipo de filme que quem vai alugar um DVD simplesmente ignora. No meu caso, reparei que constava do Top 10 da Netflix e, adicionalmente, tinha excelentes resultados no Rotten Tomatoes e no IMDB. Adicionei-o à lista.

Infelizmente, somos (brancos, europeus) tão fechados em nós mesmos que assuntos como o Genocídio de 1994 em Rwanda não são temas que se falem com frequência. Não há professor de história que os aborde e, claro, a imprensa dedicada à história da humanidade é exponencialmente ultrapassada pela quantidade vergonhosa de revistas côr-de-rosa que contam o que a Lili Caneças vestiu ontem.

Enfim, confesso que já tinha ouvido falar do genocídio mas não fazia a melhor ideia dos detalhes — e que mórbidos detalhes. E pelo que sondei são raras as pessoas que conhecem os detalhes do sufrágio — ou de qualquer outra guerra que tenha decorrido África. Excepto, claro, as colónicas que nos perteceram. Mau era…

Neste momento, estou indeciso entre falar sobre o filme ou do genocídio. O filme, magistralmente executado, descreve bastante bem o genocídio. Talvez seja soft, visto que os acontecimentos, ao contrário do que é comum, foram ainda mais dramáticos do que aquilo que é revelado no filme.

Numa frase, trata-se do Schindler africano. Paul Rusesabagina protegeu mais de 1000 pessoas no Hotel que administrava.

O que me deixou talvez mais triste que saber os contornos do genocídio — 1 milhão de pessoas — foi saber que a Europa e, principalmente, a Bélgica, os grandes responsáveis pelo genocídio, nada fizeram. Foi preciso morrerem 900 000 pessoas, grande parte por esquartejamento retardado, até admitirem que estava a ocorrer um genocídio. Os franceses vendiam as armas aos agressores. Os restantes, ingleses, americanos, entre outros, pouco lhes interessava — em Rwanda não há petróleo. Senti nojo e repúdio de tão grande falta de humanidade. Senti vergonha da Europa. Da impotência da mesma. Ou da falta de vontade de fazer alguma coisa.

Para quem não sabe, foram os Belgas que segregaram o povo de Rwanda. Ao usar contornos físicos para separar e discriminar os Tsutis (aqueles que mais se assemelhavam com Europeus) dos Hutus (os mais africanos) e atribuirem o poder aos Tsutis sem qualquer eleição ou processo democrático acabaram por lançar as sementes do que era o inevitável — o conflito.

Quanto ao filme, é agora um digno ocupante do meu top 3, a partilhar os lugares cimeiros com filmes como A Vida é Bela ou Crash.

P.S. - Obviamente que não poderiam deixar de haver as críticas vazias ao filme por parte dos críticos de cinema.


3 Responses to “Hotel Rwanda”

  1. José Castro
    Published at April 26th, 2007 at 9:38 am

    Por acaso é um filme fabuloso que revi recentemente :-)

    Quanto ao Crash, não me consigo conter e tenho a dizer que o detestei. Parece-me uma cópia do Magnolia. Esse sim, um filme fantástico.

  2. Carlos Afonso
    Published at April 26th, 2007 at 10:25 am

    Esse filme deixou-me na sala de cinema com o estômago completamente embrulhado. A história é simplesmente atroz (é daquelas histórias que todos devem conhecer o ser humano como besta total não só os que executam mas também os que assistem, mesmo que de longe, sem nada fazer).

    Quando tinha 16/17 anos um primo meu (que considerava um irmão mais velho) foi lapidado assim como alguns colegas. Tenho que admitir que ao fim destes anos já não tenho aversão (embora lembre) à população que praticou tal acto (Moatize).

    Aquilo que se passou no Ruanda parece estar a passar-se novamente no Darfour, Iraque e não sei até que ponto na Somália, com uma grande indiferença por parte do mundo Ocidental.

    Quando 30 pessoas são assassinadas nos EUA o George aparece a dizer-se enlutado, quando são assassinadas às centenas por mês no Iraque, desde que não sejam ocidentais parece não haver problema algum.

    Não conheço ainda outros Paul Rusesabagina nesses locais talvez os haja.

  3. mlopes
    Published at April 26th, 2007 at 5:32 pm

    Carlos,

    Partilho totalmente o nojo e a indignacao que sinto pelo mundo Ocidental. Vergonhoso que nao se faca nada quando realmente e’ preciso e se invadam paises apenas porque tem petroleo (o Sadam nunca matou 1/10 das pessoas que morreram no Rwanda).

    As pessoas deviam ter vergonha de andarem a falar do que personalidade X andou a fazer no dia anterior e ocupar o tempo delas com futilidades, tempo esse que poderia estar a ser usado para pelo menos alertar os outros do que se passa nos paises africanos.