Inacreditável — Algumas explicações
- Published April 21st, 2007 in Internacional
O meu último post gerou algum celeuma talvez porque não foi interpretado como eu gostaria que fosse ou então porque não consegui transmitir a ideia correctamente (talvez a segunda :-).
Portanto, para enquadrar o post, um prefácio.
Durante a minha vida sempre fui contra qualquer confronto bélico — repugno tanto a invasão do Kuwait como do Vietname, a perseguição na China ou a invasão do Iraque. Poucos são os confrontos que valem pelas vidas que ceifaram (e nos últimos anos só me recordo da acção necessária dos Aliados)
Curiosamente, todos os confrontos que foram travados em milhares de anos de humanidade tinham diversos motivos, mas raros eram aqueles que usavam algo meta-físico, como Deus, como catalizador. Seja por dinheiro, necessidade de ripostar, morte dos filhos do Rei, raramente era por causa de Deus.
Todas essas causas são colmatáveis. Os pais acabam por falecer, o dinheiro aparece e desaparece, confrontos criam-se e apagam-se. Todos, menos a interpretação que o homem dá de Deus.
Hoje em dia, e se tentarmos pensar o maios racionalmente possível, chegamos à imediata conclusão de que nada do que fizermos vai impedir de passar a mensagem dos extremistas, nomeadamente os do médio-oriente: que urge uma Guerra Santa, que milhões vão morrer, em nome de Alá.
Ora, depois de ler o artigo que é bastante chocante (um miúdo de 12 anos corta a garganta a um presumível espião e, enquanto grita “Deus é grande”, termina o trabalho e decapita-o, elevando a cabeça como símbolo de orgulho) isto suscitou em mim esta grande dúvida que aguardo que alguém me tente responder: há alguma forma de os travar sem ser via confronto bélico?




“há alguma forma de os travar sem ser via confronto bélico?”
Humm este assunto já tem uns milhares de anos e os periodos sem confronto bélico até têm funcionado bem.
as tuas palavras não devem deixar-te com sentimento de culpa por não teres solução para os conflitos no médio oriente, nem para as suas ramificações pelo resto do planeta. Se houvesse solução fácil, certamente já tinha sido posta em prática :)
A alegada superioridade moral do ocidental pacifista também não dá resposta adequada a uma ameaça por parte de quem é educado/endoutrinado para viver num conflito cuja raíz há muito que foi abafada pela constantemente renovada retaliação. essa dedicação e preparação do militante “radical” muçulmano faz toda a diferença e não é credível que se consiga chamar alguns milhões de pessoas à razão (seja ela qual for) pedindo de seguida e de forma educada que sejam depostas as armas.
Algum tempo depois da invasão do Iraque, Mário Soares disse que gostaria de conhecer as motivações e objectivos da AlQaeda, um primeiro passo para se cessar hostilidades. rapidamente foi censurado por quem entende que não há diálogo possível com aquela rapaziada e que toda a cedência é uma derrota perante quem “nos” fez mal antes. numa escala diferente da do refém executado, o Mário Soares também encontrou aqui em Portugal resistência de extremistas. é fodido.
respondendo finalmente à tua pergunta: não. esta guerra precisa de ser tornada convencional o mais depressa possível, porque se atingirmos um impasse moral de uma condição de “mutually assured destruction”, é bem possível que desta vez um dos líderes prima o botão vermelho.
Nuno,
O problema com a via do diálogo é que nem eles próprios se compreendem. Conheci bastantes muçulmanos desde que vim para os EUA, pessoas extremamente educadas e equilibradas com quem tenho o prazer de conviver diariamente. Eles próprios, tal como os judeus equilibrados criticam os judeus ortodoxos, também vêm os muçulmanos extremistas como uma ameaça.
Acho que o caminho seria claramente tentar perceber as motivações por detrás daqueles movimentos. Mas todos sabemos a motivação número 1: a Guerra Santa, o Islão como religião única do mundo. E discutir religião não vai levar a lado nenhum…