Critics, my ass!
- Published April 10th, 2007 in Crónicas
Nunca tive grande simpatia pelos criticos de cinema — na verdade, nunca tive qualquer simpatia. Desprezo-os e desprezo o [?] trabalho deles porque, na verdade, equipara-se a uma conversa de cafe’ em que os argumentos sao o menos importante.
Penso que em 22 anos de existencia li duas ou tres cronicas que efectivamente consideram pormenores importantes a avaliar o filme. Nem que seja simplesmente observar a originalidade da pelicula — um critico de cinema devera’ saber, melhor do que ninguem, se aquele filme e’ original ou nao. Ou entao criticar as tecnicas usadas, a realizacao ou os actores.
Por regra, nada disso acontece. As criticas sao levianamente escritas, como se estivessemos nos anos 70 com um charro de 10 centimetros e meio na mao. As criticas sao tao incertas como e’ a cor dos boxer’s do nosso primeiro ministro (bom, dado o nosso primeiro ministro, eu diria dos slips fio dental, mas adiante…). Por regra, a critica reflecte nada mais do que a mera opinao pessoal do critico naquele dia. Se deu uma boa trancada, provavelmente gostou do filme. Se foi rejeitado ou entao choveu a caminho do cinema, provavelmente nao gostou do filme. Porra, se eu quero opinioes pessoais leio blogs. Os criticos servem para usar o seu conhecimento ancestral da 7a arte para avaliar o filme numa matriz razoavelmente pre-definida e premiar aqueles que conseguem desviar-se de uma matriz padrao (happy ending, bons ganham aos maus, etc…) e, mesmo assim, garantir a satisfacao de, porra, quem ve o filme!
Este post foi totalmente motivado pela constatacao da opiniao dos criticos relativamente ao filme 300, que surge no excelente site Rotten Tomatoes. Um filme epico e brutal, como e’ o 300, tem uma misera classificacao de ~ 60% enquanto que um dos piores filmes que alguma vez vi (discutivel, mas ate’ me apresentarem bons argumentos, e’ tralha), o Aviator [1], tem 89%.
Baseado em que?
Na ideosincrasia dos criticos. E’ bonito, enquanto critico de cinema, ostentar um pseudo-comunismo ilustrado num estado de arte hippie constante. Por outro lado, e’ crucial garantir que a opiniao do critico destoa sempre da opiniao daqueles que realmente pagam para ver o filme — nos. Ora, a primeira parte e’ garantida na cena em que o Leonardo Di Caprio faz de louco. Imagino a satisfacao de meia hora de, como diriam os nossos amigos Gato Fedorento, pura parvoice (ou entao, se citarmos a esquerda-caviar, “momentos unicos, celere e magistralmente orquestrados de pura 7a arte”. Traduzido para o povo: o LSD fez efeito).
[1] - Este filme do Scorsese contrasta claramente com o Departed, que merece todo o meu respeito e admiracao. Um bom filme (e basta. Se os criticos nao justificam porque e’ bom, tambem nao o faco).
P.S. - Este post e’ para ser lido com uma pitada de sal. Nao tenho nenhuma afronta pessoal contra nenhum critico de cinema, apenas acho que o trabalho deles deveria ser mais ordeiro e menos caotico — no sentido em que deveriam justificar o que dizem.




Já o disse no meu blog, volto a dizê-lo: os críticos de cinema, regra geral, são uns idiotas chapados … Basta ler as classificações que vêm todos os dias nos jornais …
Como qualquer forma de arte, onde a beleza está nos olhos de quem a aprecia, o cinema está sujeito à subjectividade individual de cada um.
Muito mau seria se todos tivessemos os mesmos gostos e opiniões.
Dito isto, e concordando contigo, sim, os críticos são uns nabos.
No entanto, não posso deixar de dizer que acho que o 300 é um filme entediante, com efeitos sonoros e imagens repetitivaa e desinteressantes. No entanto, está fiel à banda desenhada e aos relatos históricos, e vale por isso. Por outro lado, O Aviador não merece 89%, mas certamente que merece mais de 60% :)
A verdade é que filtro muito dos filmes que vejo com base nestas classificações do IMDB e do Rotten Tomatoes. Evito tudo o que esteja abaixo dos 70% / 7 pts, salvo rara excepção (300!!). Claro que nem tudo acima destes mesmos valores indica qualidade, mas até agora tenho-me dado bem com este sistema.
Olá Milton!
É perfeitamente normal que haja quem não goste do 300 — anormal seria toda a gente gostar.
O que me parece importante é justificar porquê que é bom ou mau, pelo menos enquanto crítico de cinema.
Eu, mero espectador, estou no direito de omitir qualquer justificação. Os críticos, que são pagos para isso, não.