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Começamos bem…

Informou hoje o PS que as consultas de aconselhamento ao aborto (eu prefiro usar o directo e claro termo aborto do que o pomposo IVG) não serão obrigatórias. E aproveita-se a deixa para dizer que talvez (Isto nunca esteve em causa. Isto foi a maior jogada económica que o país sofreu nos últimos tempos) o SNS recorra ao privado para efectuar os abortos.

Começamos bem…


8 Responses to “Começamos bem…”

  1. Carlos Rodrigues
    Published at February 13th, 2007 at 10:08 pm

    “(…)as consultas de aconselhamento ao aborto não serão obrigatórias.”

    Ora… DUH! Que parte de despenalização é que não entendeste?

    A ideia é evitar a necessidade de fazer abortos, i.e. melhorar o planeamento familiar, e depois deixar aos médicos o trabalho de aconselhar quem os procura para abortar (o que é, aliás, o seu dever ético para com qualquer paciente, seja qual for a razão pela qual procuram assistência médica).

    “(…)o SNS recorra ao privado para efectuar os abortos.”

    Algo que já toda a gente sabia… Aliás, se quiseres ir ao dentista não vais a um privado? E se precisares de fazer uma cirurgia também não podes escolher ir a uma clínica privada?

  2. mlopes
    Published at February 13th, 2007 at 10:13 pm

    ideia é evitar a necessidade de fazer abortos

    Explica-me por favor como é que não submetendo as pessoas a uma consulta obrigatória pré-aborto irá reduzir o número de abortos. Penso que uma consulta mais antes do aborto (até para avaliar a condição psíquica da mulher) é fulcral para tenta dissuadir qualquer mulher de abortar.

    O que falta mais? Oferecer comida e um plasma de 50″ enquanto a mulher espera? Para ver se volta?

    Aliás, se quiseres ir ao dentista não vais a um privado?

    Não queiras por favor comparar o número de abortos com o número de pessoas que vão ao dentista e o número de vezes que vais ao dentista. Para ser uma liberalização isenta então o privado não devia ser chamado ao barulho.

    O que só comprova que isto tudo foi uma grande manipulação política em prol de um novo mercado bem lucrativo..

  3. Pedro Pais
    Published at February 14th, 2007 at 12:35 am

    Mário,

    Em relação a alguns abortos serem feitos no privado, já acontece com várias outras cirurgias. Faz parte dos procedimentos para redução das listas de espera.

    Não me surpreende minimamente.

    O que só comprova que isto tudo foi uma grande manipulação política em prol de um novo mercado bem lucrativo..

    Não sei onde é que foste buscar esta ideia, mas parece-me precipitada e pouco fundamentada.

  4. Carlos Rodrigues
    Published at February 14th, 2007 at 1:48 am

    “Penso que uma consulta mais antes do aborto (até para avaliar a condição psíquica da mulher) é fulcral para tenta dissuadir qualquer mulher de abortar.”

    Quando a mulher chega ao pé do médico e diz que quer abortar, o que julgas que está a acontecer…?

  5. mlopes
    Published at February 14th, 2007 at 1:49 am

    Pedro,

    A minha teoria é que esta súbita liberalização é uma jogada económica. O facto de agora o PS despojar a possibilidade de ter consultas obrigatórias valida, pelo menos de forma leviana, que a preocupação não era propriamente a diminuição da taxa de abortos — caso contrário, certificavam-se que a mulher era (obrigatoriamente) submetida a consultas para repensar a sua decisão.

    Claro que isto que estou a dizer não pode ser comprovado factualmente. O tempo dar-me-á, ou não, razão.

  6. mlopes
    Published at February 14th, 2007 at 1:53 am

    Quando a mulher chega ao pé do médico e diz que quer abortar, o que julgas que está a acontecer…?

    Um médico obstetra é um psiquiatra?

  7. Sérgio Carvalho
    Published at February 14th, 2007 at 6:03 pm

    Para ser uma liberalização isenta então o privado não devia ser chamado ao barulho.

    Muito pelo contrário. Para ser uma liberalização isenta, o SNS não devia ser chamado ao barulho. Por ser legar não quer dizer que deva ser automaticamente suportado pelo SNS.

    Dito isto, estou extremamente contente que se vá despenalizar. Mesmo que as coisas continuem más, ao menos saberemos quão más. Antes era um jogo de adivinhação com resultados aleatórios.

    Se bem me lembro do discurso do Sócrates, está previsto que haja apoio psicológico obrigatório. Ainda estamos longe de ver o verdadeiro texto da lei, mas acho que quem manda no governo ainda é o PM.

  8. mlopes
    Published at February 16th, 2007 at 3:21 pm

    Se bem me lembro do discurso do Sócrates, está previsto que haja apoio psicológico obrigatório.

    Infelizmente parece-me muito pouco provável. Ainda não ouvi nenhum elemento do PS, partido este que efectivamente sugere as leis (embora de vez em quando até pareça que é o PM) referir consultas de acompanhamento psicológico obrigatórias.

    Se o cenário já será péssimo com as consultas obrigatórias, imagino sem as obrigatórias. Não esquecer que não somos os nórdicos — o nosso nível de educação ainda é muito precário. Isso vai-se reflectir nas consequências da liberalização do aborto.