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Tempo de Antena pelo Aborto

Tenho visto com bastante atenção os tempos de antena pelo Aborto e é impressionante como nenhum partido pelo sim fala da liberalização. Fala-se de algo importante, claramente, que é o tema da despenalização, mas usa-se isso para deixar passar a liberalização como Cavalo de Tróia.

Tem funcionado. Conheci muita gente partidária do sim que não sabia que

1) Ninguém poderá impedir o livre-arbítrio da mulher em abortar, seja por que motivo for;
2) O pai não conta na decisão

Fico contente por muitos irem agora repensar a sua intenção de voto. Entristece-me saber que há muita gente que vai votar (quer pelo sim, quer pelo não) que não sabe o que está em jogo.

A pergunta engana, e muito, porque em causa não está apenas a despenalização mas a liberalização.

My take? Haverá muita gente a ganhar muito dinheiro com a liberalização. Só assim se justifica passar do 8 para o 80 e, mais grave ainda, fazê-lo sob a desculpa da despenalização. Despenalização esta que tem a sua piada, visto que às 10 semanas e 1 dia a mulher é presa…


36 Responses to “Tempo de Antena pelo Aborto”

  1. Sérgio Carvalho
    Published at February 4th, 2007 at 8:13 pm

    Não compreendo a guerra semântica que se tem levantado entre despenalização e liberalização. É óbvio que se não é penalizado, é autorizado. É uma e a mesma coisa. Não há qualquer subterfúgio ou qualquer jogada encapotada. Nenhum cavalo de tróia.

    Pessoalmente, acho que manter o não é manter o estado actual. Manter o estado actual é ter um sistema oculto que junta o pior de tudo. Quem quer aborta, não tem que dar cavaco ao pai, sofre problemas graves de saúde, aborta sem aconselhamento psicológico. Pior, não se sabe quantos abortos há nem quem abortou. É um sistema em roda livre, sem controlo possível.

    Prefiro que seja legal, para que se conheçam dados reais sobre o problema e se possa tratar. Por mim não abortava ninguém, mas ameaçar com cadeia comprovadamente não funciona.

  2. les
    Published at February 4th, 2007 at 11:58 pm

    nice words, those are sharp words Sérgio Carvalho.

  3. mlopes
    Published at February 5th, 2007 at 1:01 am

    Sérgio, há nítidas e dicotómicas diferenças entre a despenalização e a liberalização. Tanto que em alguns países da Europa o aborto está despenalizado mas não é liberalizado.

    A liberalização pressupõe, pelo menos neste caso, a livre instituição da prática do mesmo e, no caso de Portugal, possibilitar que a SNS financie quem o deseja praticar. Na Alemanha, por exemplo, é necessário pagar na maior parte dos casos, mas em Portugal seria 100% compartecipado pelo Estado.

    A liberalização conduzirá, portanto, a um novo mercado bastante atractivo. A clínica de abortos de Badajoz está já a fazer obras em Lisboa e provavelmente muitas outras se seguirão. A Associação de Planeamento Familiar, partidária do sim, é finançiada pela IFPP, que detém a maior clínica de abortos dos EUA.

    Portanto, só posso reiterar o que disse. A desculpa da despenalização é um Cavalo de Tróia à liberalização e a um novo mercado que irá criar.

    Quanto aos abortos clandestinos, é semelhante à fraude fiscal. Deve-se combater e impedir que existam. Principalmente os médicos e as enfermeiras que os fazem (e que enriquecem com isso…).

  4. Miguel
    Published at February 5th, 2007 at 1:27 am

    Em relação ao ponto 2, tenho a dizer que até às 10 semanas não é possivel saber-se quem é o pai. Logo, não se pode ter em conta a decisão de quem não se sabe quem é.

    De qualquer forma conheço muita gente partidária do sim que não sabe que:
    1) Votar sim não obriga ninguém a fazer abortos
    2) Despenalização não significa liberalização. Apenas se está a votar a alteração à lei. Falar de custos ou de comparticipações do Estado é falar de coias que não têm nada a ver (tanto que tais decisões só serão tomadas depois, se o sim ganhar)

  5. Sérgio Carvalho
    Published at February 5th, 2007 at 2:22 am

    Mário, discordo terminantemente. Não há qualquer distinção entre despenalização e liberalização:
    1) Pelo facto de estar despenalizado, está instituída a livre prática. Se não é proibido é permitido.
    2) Ao contrário do que afirmas, nunca se menciona o financiamento do aborto pelo SNS. A pergunta não menciona financiamento, apoio e de forma nenhuma menciona o SNS.

    Falar de financiamento é introduzir ruído num tema que já é complexo que chegue. Deixe-se isso para segundas núpcias. A questão que está em cima da mesa é: Devemos colocar na cadeia uma mulher que aborte voluntariamente?

    Eu acho que não.

  6. Pedro Cardoso
    Published at February 5th, 2007 at 2:47 pm

    Passar do 8 ao 80 em número de abortos no total, ou apenas os que são feitos em condições legais?

    Haverá sem dúvida muita gente a ganhar dinheiro com a liberalização. Mas apenas muda a legalidade da coisa, já que no estado actual também se ganha muito dinheiro a fazê-lo ilegalmente ou fora do país.

  7. SN
    Published at February 5th, 2007 at 4:14 pm

    Seria importante informar que os comentários neste blogue são filtrados. Seria ainda mais importante informar quais os critérios que determinam a publicação ou não do comentário.

  8. JP Antunes
    Published at February 5th, 2007 at 4:39 pm

    Olá de novo Mario.

    Vais-me desculpar, mas parece-me que estás a precisar de falar mais com muheres..

    Repara, se os motivos que apresentas são o que realmente te leva a votar “Não”, permite-me que te coloque então as seguintes questões:

    1) Ninguém poderá impedir o livre-arbítrio da mulher em abortar, seja por que motivo for;

    Quer-me parecer que uma mulher não aborta porque lhe apetece ou está para ai virada. Se existem mulheres assim, não é a legalização que as vai impedir, talvez até as possa levar a ter tratamento psicológico. TODA a gente sabe onde ir para fazer um aborto ilegal ou legal (Espanha, Italia, Inglaterra…).

    Quanto ao “livre arbitrio da mulher”… Pessoalmente não tenho problemas com isso. Queres que seja eu (ou outro qualquer) a decidir o que a tua mulher faz com o ventre dela?? Não me parece.

    Agora (mais) a sério, o que é que tu pensas das mulheres? És daqueles que pensas que são umas pobres coitadas que não podem ser deixadas sozinhas? Que não sabem o que é melhor para si, e que portanto dependem de nós homens valentes para tomar decisões por elas?

    2) O pai não conta na decisão

    Este argumento parece-me mais uma vez uma tentativa desesperada de tentar controlar o que a mulher pode ou não pode fazer.
    Repara, se entendermos que a gravidez se deu de comum acordo, então o pai foi consultado. Há um projecto e terá sido pensado e realizado a dois. A decisão de abortar também será tomada a dois.

    Num caso em que uma mulher decida abortar, e repara que isso acontece HOJE, sem “consentimento” ou sequer conhecimento do pai, então pode ser o fim não de um mas de dois projectos. O filho que não nasce e a relação que está morta.

    Permite-me que te pergunte se achas mais aceitável que, por exemplo, uma mulher decida ficar gravida e levar até ao fim essa gravidez contra a decisão do pai. O que tinhas a dizer a este respeito?

    Então (e este texto já vai muito longo) se o pai decidir que quer que a mulher aborte?

    Um coração bate ás 10 semanas? Sim, e as 24 (prazo dado nos EUA)?

    Sabes que é a actividade cerebral coordenada que define o ser humano, certo? Talvez te ajude saber que ás 10 semanas, a estrutura nervosa necessária para a existência dessa actividade ainda não existe.

    (coloquei este mesmo comentário no teu post anterior por engano. sorry)

  9. JP Antunes
    Published at February 5th, 2007 at 4:48 pm

    Olá de novo Mario.

    Vais-me desculpar, mas parece-me que estás a precisar de falar mais com muheres..

    Repara, se os motivos que apresentas são o que realmente te leva a votar “Não”, permite-me que te coloque então as seguintes questões:

    1) Ninguém poderá impedir o livre-arbítrio da mulher em abortar, seja por que motivo for;

    Quer-me parecer que uma mulher não aborta porque lhe apetece ou está para ai virada. Se existem mulheres assim, não é a legalização que as vai impedir, talvez até as possa levar a ter tratamento psicológico. TODA a gente sabe onde ir para fazer um aborto ilegal ou legal (Espanha, Italia, Inglaterra…).

    Quanto ao “livre arbitrio da mulher”… Pessoalmente não tenho problemas com isso. Queres que seja eu (ou outro qualquer) a decidir o que a tua mulher faz com o ventre dela?? Não me parece.

    Agora (mais) a sério, o que é que tu pensas das mulheres? És daqueles que pensas que são umas pobres coitadas que não podem ser deixadas sozinhas? Que não sabem o que é melhor para si, e que portanto dependem de nós homens valentes para tomar decisões por elas?

    2) O pai não conta na decisão

    Este argumento parece-me mais uma vez uma tentativa desesperada de tentar controlar o que a mulher pode ou não pode fazer.
    Repara, se entendermos que a gravidez se deu de comum acordo, então o pai foi consultado. Há um projecto e terá sido pensado e realizado a dois. A decisão de abortar também será tomada a dois.

    Num caso em que uma mulher decida abortar, e repara que isso acontece HOJE, sem “consentimento” ou sequer conhecimento do pai, então pode ser o fim não de um mas de dois projectos. O filho que não nasce e a relação que está morta.

    Permite-me que te pergunte se achas mais aceitável que, por exemplo, uma mulher decida ficar gravida e levar até ao fim essa gravidez contra a decisão do pai. O que tinhas a dizer a este respeito?

    Então (e este texto já vai muito longo) se o pai decidir que quer que a mulher aborte?

    Um coração bate ás 10 semanas? Sim, e as 24 (prazo dado nos EUA)?

    Sabes que é a actividade cerebral coordenada que define o ser humano, certo? Talvez te ajude saber que ás 10 semanas, a estrutura nervosa necessária para a existência dessa actividade ainda não existe.

    Em relação ao teu ponto de vista que “muita gente a ganhar muito dinheiro com a liberalização”. Não posso discordar mais. Tu próprio o dizes… o SNS vai pagar a conta.

    Agora que tem piada ver os médicos dizerem que não vão realizar a IVG nos Hospitais, e não se referirem ás Clinicas onde exercem de forma privada…..

    (Postei este mesmo comentário como resposta ao teu post anterior por engano. sorry)

  10. SN
    Published at February 5th, 2007 at 6:04 pm

    O Sim não tem evitado de todo dar resposta à “questão da liberalização”. Ler por exemplo:

    http://sim-referendo.blogspot.com/2007/02/o-nome-das-coisas.html

  11. mlopes
    Published at February 5th, 2007 at 10:10 pm

    JP Antunes,

    Já respondi ao teu post aqui

    Sérgio e JP Antunes,

    Membros do Partido Socialista já garantiram que o SNS vai financiar indirectamente (via clínicas privadas) os abortos. Então não há um negócio paralelo?

    Quanto à penalização, também eu sou contra. Mas assim, não. A liberalização é um problema muito grave.

    Mas pronto, se o sim ganhar, que é provável, serão poucos anos até a lei reverter de novo ao equilíbrio. Como, aliás, se está a suceder agora na Alemanha, Holanda, etc..

    P.S. - Os comentários são moderados por causa do SPAM e, por vezes, dos insultos.

  12. SN
    Published at February 6th, 2007 at 12:00 am

    Como voltas a repetir uma mesma ideia sobre a “liberalização”, copio aqui o texto que indiquei:

    “A matéria encontra-se regulada no Código Penal? Encontra.
    Resultando o referendo numa vitória do Sim, a interrogação objecto da consulta continuará a ser regulada pelo Código Penal? Sim.
    Se o Sim sair for maioritário no dia 11.02, a interrupção voluntária da gravidez, naqueles concretos limites, será matéria retirada do Código Penal, e dada à liberdade, prodigalizada? Não.

    Espero que, finalmente, se dêem os nomes às coisas. E não se forcem os sentidos a encontrar uma liberalização onde ela não existe.
    Dia 11.02, votaremos por uma despenalização (parcial). Não vale a pena baralhar, voltar a dar, e querer, com excessos técnicos, reescrever os dicionários.”

    Neste momento, o aborto é realizado sem controlo, sem acompanhamento, sem aconselhamento, sem cuidados de saúde mínimos. O Não pretende que tudo se mantenha igual, tal como aconteceu após o anterior referendo. O Sim pretende mudar as coisas.

    O Sim encara o problema e propõe um caminho. Não é um caminho de certezas, nem de vitórias garantidas, mas é um caminho coerente.

    Eu voto Sim porque acho que o aborto será reduzido, porque haverá uma percentagem de mulheres que terá contacto com o acompanhamento que será introduzido no processo e talvez reconsidere.

  13. mlopes
    Published at February 6th, 2007 at 12:10 am

    SN,

    Isso NÃO é verdade e é uma interpretação mais que falaciosa. A proposta do PS inclui o apoio a todas aquelas mulheres que queiram engravidar e pressupõe o financiamento total do mesmo, via clínicas privadas.

    Não chamar isto de liberalização equivale dizer que o Milton Friedman ou Margaret Tatcher eram comunistas.

    De resto, eu sou partidário do NÃO, mas quero que as coisas mudem. Quero que as mulheres não sejam penalizadas e quero que o aborto clandestino acabe.

    E se alguma coisa ficou na mesma é culpa de quem agora defende o sim. Freitas de Amaral, entre outros, propôs a despenalização SEM liberalização e todos os partidos que defendem o sim nem agendaram a proposta.

    Gato por lebre? Não obrigado. Não vou financiar clínicas de aborto de Badajoz a instalarem-se em Lisboa.

  14. SN
    Published at February 6th, 2007 at 12:28 am

    A decisão terá de ser sempre “por opção da mulher”. O processo nunca poderia ser desencadeado, e legal, a pedido de outrém.

    O que te perguntam é se o aborto deve deixar de ser crime se for realizado a pedido da mulher. Eu nunca concordaria com a despenalização se não fosse explícito que o processo teria início a pedido da mulher. De que outra forma poderia ser?

  15. mlopes
    Published at February 6th, 2007 at 12:35 am

    Quem falou que o aborto poderia ser a pedido de outrém?

  16. SN
    Published at February 6th, 2007 at 12:38 am

    Não percebo a dramatização relativamente à questão do financiamento por parte SNS (Serviço Nacional de Saúde).

    Então o aborto não deve ser realizado em condições de saúde e pago pelo SNS como qualquer intervenção médica?

    Por outro lado parece-me que não tens noção do que significa “liberalização”. Da Wikipedia inglesa:

    “In general, liberalization refers to a relaxation of previous government restrictions, usually in areas of social or economic policy. Liberalization of autocratic regimes may precede democratization.

    In the arena of social policy it may refer to a relaxation of laws restricting for example divorce, abortion, homosexuality or drugs.”

    Estás a confundir com “liberalismo económico”.

    “De resto, eu sou partidário do NÃO, mas quero que as coisas mudem. Quero que as mulheres não sejam penalizadas e quero que o aborto clandestino acabe.”

    Então gostava de saber como concretizas esta tua vontade. Como despenalizarias o aborto? Tem atenção que não se está a referendar uma lei (o que seria inconstitucional) mas sim uma questão fundamental. Preferirias uma pergunta apenas “Concorda com a despenalização do aborto?”

  17. SN
    Published at February 6th, 2007 at 1:14 am

    Na RTP: “1 mulher em cada 15 que frequentam as consultas de aconselhamento para aborto na Suíça decidem voltar atrás na decisão.”

    O que o Não faz é evitar que as mulheres possam ir a este aconselhamento pois é crime.

  18. José Canelas
    Published at February 6th, 2007 at 1:39 am

    Liberalização é o que há AGORA. Lucro está a ser feito AGORA, na clandestinidade.

    1) Quem querias que pudesse impedir? O Estado, como hoje (não) acontece? Queres levar cada requisição de autorização perante uma comissão de sábios?

    2) Mistificação. A opinião do pai conta sempre - até demais, a julgar por argumentos do não que dizem que as mulheres são pressionadas a abortar pelos companheiros. Em que ficamos, afinal? Se quiseres de outra forma, a decisão de paternidade deve ser tomada a dois em que a mulher tem voto de qualidade, já que tudo acontece dentro do seu corpo.

    O pormenor que aqui ignoras duas vezes é o da biologia. Um potencial ser humano não se desenvolve no éter. A pessoa em cujo corpo se desenvolve deve ter mais a dizer sobre o assunto do que qualquer outra. Pretende-se que assim seja, dentro de um um prazo razoável e em determinadas condições - estabelecimento autorizado, por decisão da mulher.

  19. mlopes
    Published at February 6th, 2007 at 3:16 am

    SN,

    Do Prós e Contras também retirei, que desconhecia, o aumento explosivo dos abortos LEGAIS na Inglaterra, desde 1969 até 2002. Recordo que o aborto foi liberalizado em 1961 em UK.

    José Canelas,

    Liberalização é o que há AGORA. Lucro está a ser feito AGORA, na clandestinidade.

    Isso explica porquê que tantas clínicas de aborto estão a mudar-se agora para Portugal.

    O aborto clandestino TEM de ser combatido, mas não é via da liberalização.

    1) Quem querias que pudesse impedir? O Estado, como hoje (não) acontece? Queres levar cada requisição de autorização perante uma comissão de sábios?

    No mínimo dos mínimos alguém que diga que aquela mulher está a tomar a decisão com racionalidade e com razoabilidade. Chegar lá e dizer “Quero abortar” não é justificação.

    2) Mistificação. A opinião do pai conta sempre - até demais, a julgar por argumentos do não que dizem que as mulheres são pressionadas a abortar pelos companheiros. Em que ficamos, afinal?

    Misto é este ponto, onde não percebo onde queres chegar. O aborto deverá ser consentido formalmente pelo pai, caso este esteja presente. Se o pai desejar assumir toda a responsabilidade do filho e custos envolvidos (e isso ACONTECE) e não existirem problemas de saúde para a mulher, o pai deverá ter uma palavra a dizer.

    O pormenor que aqui ignoras duas vezes é o da biologia. Um potencial ser humano não se desenvolve no éter. A pessoa em cujo corpo se desenvolve deve ter mais a dizer sobre o assunto do que qualquer outra. Pretende-se que assim seja, dentro de um um prazo razoável e em determinadas condições - estabelecimento autorizado, por decisão da mulher.

    O que eu NÃO ignoro é que às 10 semanas existe um feto com o coração que bate, orgãos TODOS em ínicio de formação, dedos e sistema nervoso central em desenvolvimento.

    Há quem ignore tal coisa e prefira a resposta moderna (até daqui uns anos, quando se inverter) e liberal que passa pela exterminação dessa VIDA, que o é. A decisão da mulher deverá SEMPRE ser mediada, embora deva partir dela a vontade de abortar, o que não significa que lhe seja consentida sem mais, nem menos.

  20. SN
    Published at February 6th, 2007 at 10:26 am

    Esquivaste-te a esta pergunta directa:

    “De resto, eu sou partidário do NÃO, mas quero que as coisas mudem. Quero que as mulheres não sejam penalizadas e quero que o aborto clandestino acabe.”

    Então gostava de saber como concretizas esta tua vontade. Como despenalizarias o aborto? Tem atenção que não se está a referendar uma lei (o que seria inconstitucional) mas sim uma questão fundamental. Preferirias uma pergunta apenas “Concorda com a despenalização do aborto?”

    PS: Quanto ao aumento do aborto em Inglaterra, parece-me evidente que quando algo sai da esfera da ilegalidade, se torna quantificável. Preferiria saber como foi a evolução desde 1960.

  21. SN
    Published at February 6th, 2007 at 11:06 am

    Nada como a Internet para confirmar a informação.

    Does the liberalisation of abortion laws increase the number of abortions? The case study of Spain.

    http://eurpub.oxfordjournals.org/cgi/reprint/11/2/190.pdf

    “Decriminalisation has had no observed effect on the trends in abortion, but rather it has benefited Spanish women by making abortion available locally and, therefore, reducing the inequalities implied by lack of access to proper health care services.”

    Recomendo a leitura.

  22. mlopes
    Published at February 6th, 2007 at 7:31 pm

    SN,

    O aborto foi liberalizado em UK em 1961 por Margaret Tatcher. Os dados que foram apresentados datam de 1969 a 2002 em que o aborto já era totalmente legal. O aumento foi EXPLOSIVO dentro do período de liberalização.

    Quanto à despenalização sem liberalização, obviamente que é possível. Basta que não se financiem nem incentivem os abortos pelo Estado e se combatam veemente os abortos clandestinos.

  23. SN
    Published at February 6th, 2007 at 8:35 pm

    Leste o estudo o que aconteceu em Espanha? Para continuares a repetir o que dizes sobre Inglaterra, parece-me que não… Já agora, consegues apresentar-me um link (de preferência um estudo científico) onde se conclua o que dizes? Desafio-te.

    É bonito dizer “quero que o aborto clandestino acabe e que as mulheres deixem de ser penalizadas”, sem apresentar a forma como isso se conseguiria.

    Eu acho que votando no SIM ficamos mais próximos disto que defendes. Se fores capaz de me mostrar como é que votando no NÃO isso vai acontecer…

    De qualquer forma, continuas sem conseguir formular uma pergunta à qual responderias SIM… Revelador.

    Acho que aqui reside uma diferença importante entre o NÃO e o SIM. O SIM é realista e tem um plano. O NÃO não apresenta estratégias reais de acção, preocupa-se apenas em contradizer a estratégia do SIM.

  24. mlopes
    Published at February 6th, 2007 at 9:06 pm

    http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/ab-ukenglandwales.html

    14.100 abortos no ano da liberalização, 194.179 abortos em 2004. Ora, aumentou mais de 10 vezes.

    O NÃO vai contra a liberalização do aborto por livre arbítrio. Entre a lei actual e o livro arbítrio, não sei o que será pior.

    Há muitos nãos. O meu pediria, no mínimo, a validação por um psiquiatra que a mulher está em condições para tomar a decisão; a aceitação formal por parte do pai; a suspensão criminal das mulheres que praticaram o aborto (mas a criminalização dos médicos/parteiras/whatever que os efectuaram).

    De resto, o aborto clandestino não acabou em nenhum dos países cujo aborto é legal.

    Com o SIM, as mulheres continuarão a ser presas às 10 semanas e 1 dia. Mas mais grave, é que haverá um negócio brutal por detrás.

  25. SN
    Published at February 6th, 2007 at 9:50 pm

    Se tivesses lido o estudo que coloquei aqui sobre Espanha, verias que a realidade não se avalia assim, pois é impossível comparar esses números com uma realidade que não chegou a existir nesse período - a do aborto penalizado.

    O que se faz é comparar com outros países e calcular a taxa de aborto por nascimentos (!). Um engenheiro não deveria fazer tão superficial análise com base em dois valores absolutos. O que é necessário ver é a taxa de aborto por nascimentos (!) Por outro lado, se olhares para a coluna dos abortos por parte de não residentes vês parte da justificação. Lê (mesmo) o trabalho sobre Espanha.

    Mas OK, já percebi até onde queres ir.

    Quando à pergunta que sugeres, seria impossível de colocar. Como deves saber, as perguntas em referendo não podem ser sobre leis concretas mas sim sobre conceitos fundamentais. O SIM permite que a lei possa a vir a ser essa que sugeres, o NÃO pretende manter a lei actual. É assim tão simples.

    Por outro lado, parece-me que é mesmo a questão do Pai que te incomoda. É a única condição que introduzes que não está prevista.

    A questão da avaliação das condições da mulher para tomar a decisão está obviamente prevista. Por exemplo, se chegares a um médico e lhe disseres que queres ser operado a um joelho ele fica impávido e sereno a concordar?? Não te vai apresentar os prós e contras e aconselhar? Porque haveria de ser diferente no aborto, que é muito mais importante ??? Haja bom senso!!

    Não inventes realidades futuras só porque convém à tua justificação.

  26. mlopes
    Published at February 6th, 2007 at 10:10 pm

    SN,

    A proposta do Partido Socialista, entretanto alterada, tendo sido removido a conteplação dos centros de apoio, diz-me algo com o qual eu discordo veemente.

    Embora eu não vote no projecto de lei, sei que será isso que será tido em conta aquando da elaboração da lei. Mais grava ainda. Da forma como a liberalização foi escamoteada em toda a campanha, só posso assumir que a lei final será ainda mais liberal que a actual proposta do PS.

  27. SN
    Published at February 6th, 2007 at 10:20 pm

    Estás a fazer futurismo. Sobre a lei que vai ser aprovada só podes especular.

    Quando ao facto da vitória do NÃO resultar em “tudo igual”. é uma certeza.

    O site que enviaste é interessante. Claro que só vale a pena comparar países onde o aborto está enquadrado no serviço de saúde. Os restantes, incluindo Portugal, não têm dados fidedignos uma vez que o aborto é crime.

  28. SN
    Published at February 6th, 2007 at 10:31 pm

    Alguém acha que isto é realista??

    http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/mapeuropeabrate.html

    O NÃO pretende manter-se na ignorância.

  29. SN
    Published at February 7th, 2007 at 11:36 am

    “Entre o absurdo de proibir totalmente, e o absurdo de permitir sempre, tracemos então uma linha na areia. Tracemo-la de forma cuidadosa, cautelosa. Dez semanas é cauteloso. Dez semanas é suficiente para dar tempo à mulher para decidir, mas não mais do que o necessário.

    Continua, no entanto, a ser uma linha que limita os direitos da mulher. Depois daí, considera a lei que a mulher deu o seu consentimento implícito e aceitou a responsabilidade da gravidez. Considera que os direitos do feto já se sobrepõem aos da mulher. Votar Sim é um compromisso (ao contrário de votar Não que é uma posição radical).

    Eu aceitaria uma linha mais afastada; às 16 semanas por exemplo. O que é proposto são 10. Eu voto Sim.”

    http://blog.luispedro.org/posts/o-meu-sim-ii

  30. SN
    Published at February 8th, 2007 at 11:41 am

    Resposta ao “Estou rendido!” já que lá fechaste os comentários.

    O teu argumento é o mesmo que eu dizer que todas as pessoas do NÃO são como o Gentil Martins que recusa a lei actual e acha que as excepções previstas, mesmo aquelas associadas às violações, devem ser revogadas. Isso não é argumentar!

    De qualquer forma já deu para perceber qual o teu tipo de NÃO. És daqueles que *quer* votar NÃO mas não consegue arranjar argumentos sólidos, por isso deturpa os argumentos.

    Veja-se o contraditório da tua argumentação:

    “Há muitos nãos. O meu pediria, no mínimo, a validação por um psiquiatra que a mulher está em condições para tomar a decisão; a aceitação formal por parte do pai; a suspensão criminal das mulheres que praticaram o aborto (mas a criminalização dos médicos/parteiras/whatever que os efectuaram).”

    O SIM dá-te a “validação por um médico”, dá-te “a suspensão criminal das mulheres”, dá-te a criminalização das parteiras/Etc (pois não são estabelecimentos autorizados). Em quatro condições, o SIM dá-te três.

    O NÃO retira-te a “validação por um médico” (são parteiras/etc que lá estão), retira-te a “suspensão criminal das mulheres” (é crime!), retira-te o consentimento do pai e dá-te a criminalização das parteiras/etc. Em quatro condições, o teu voto no NÃO dá-te uma.

    O mais estranho é que, face a isto, votas NÃO!?! Como se fosse indiferente estar mais próximo ou mais longe da situação ideal. Quando assim é acho que pouco mais há a argumentar…

  31. JP Antunes
    Published at February 8th, 2007 at 1:58 pm

    Mario, conheces aquela velha expressão do “diz-me com quem andas…”

    Dá uma vista neste site
    http://www.resistente.org

    eles votam não…

    (esta é a melhor resposta que encontrei ao teu post “Estou rendido!” sem ter de pensar muito.)

  32. mlopes
    Published at February 8th, 2007 at 2:53 pm

    Eu devia apagar os comentários visto não serem relevantes para este post. Se eu fechei os comentários foi por algum motivo.

    Quanto ao SN, causa-me alguma azia falar com alguém que nem sequer tem coragem de dar a cara. Termino recordando que expus num post os motivos e argumentos para votar não.

    JP Antunes,

    De ambos os lados há extremistas. O Miguel Portas estava a roer-se para não falar no Prós e Contras e provavelmente a Frente Nacional do PNR estará também com um discurso de extremismo total.

    Para mim, estes não contam. Os comentários que eu citei neste post são de pessoas absolutamente normais, como nós os dois, das quais desconheço qualquer filiação política. Isto é que é grave.

  33. mlopes
    Published at February 8th, 2007 at 2:57 pm

    Ah, só para terminar

    O SIM dá-te a “validação por um médico”, dá-te “a suspensão criminal das mulheres”, dá-te a criminalização das parteiras/Etc (pois não são estabelecimentos autorizados). Em quatro condições, o SIM dá-te três.

    Alerto todos os indecisos que isto é totalmente incerto. O PS recentemente alterou o projecto lei revogando os apoios. É totalmente incerto e muito improvável que irá haver acompanhento obrigatório.

    Agora percebo a tua intenção de voto. Com a ilusão que mulheres deixarão de ser presas, o aborto clandestino vai terminar e que haverá acompanhamento médico obrigatório, também eu votava sim. É bonito viver na ilusão…

  34. SN
    Published at February 8th, 2007 at 4:23 pm

    “Alerto todos os indecisos que isto é totalmente incerto. O PS recentemente alterou o projecto lei revogando os apoios. É totalmente incerto e muito improvável que irá haver acompanhento obrigatório.”

    Esta tua afirmação pressupõe que os médicos são agentes passivos em todo o processo. Se tu fores ter com um médico e pedires uma receita para um VALIUM ele dá-te sem pensar ou *serve de fronteira* entre ti e o medicamento? Porque é que no caso do aborto, o médico que vai receber a mulher não haveria de ter um comportamento semelhante? Achas que algum médico se vai associar a um aborto de uma mulher claramente com problema psicológicos?

    O médico ficará veiculado ao processo!

    Acho difícil preferir uma “abortadeira” a gerir o processo de aborto de uma mulher do que um médico do SNS… mas já acredito em tudo. Como mostrei em cima o teu discurso está cheio de contradições.

    PS: 1) As mulheres deixarão de ser presas até às 10 semanas. 2) O aborto clandestino não vai acabar, mas vai ser reduzido. 3) Vai estar um médico envolvido no processo, obrigatoriamente. Não vejo onde está a ilusão.

    PPS: Quanto à “azia”, parece-me sintomático atacar as pessoas e não os argumentos.

    PPPS: Acho que deves considerar o Gentil Martins uma “pessoa normal” (raio de classificação!) e no entanto ele acha que uma mulher deve cumprir pena efectiva de prisão, acha até que a violação não deve ser excepção.

  35. mlopes
    Published at February 8th, 2007 at 7:39 pm

    Podes-me apontar onde estão as minhas contradições no meu discurso?

    Ponto número dois, encerro aqui a minha conversa com um anónimo. Queres falar comigo, dás a cara. Aliás, vou deixar é de aceitar comentários anónimos.

  36. Pedro Serra
    Published at February 8th, 2007 at 8:10 pm

    “Ponto número dois, encerro aqui a minha conversa com um anónimo. Queres falar comigo, dás a cara. Aliás, vou deixar é de aceitar comentários anónimos.”

    Isso é algo impossível na Internet ;)