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Para reflectir…

Se a lei do aborto em referendo tivesse sido aprovada há 30 anos atrás provavelmente alguns de nós, que neste preciso momento estão a ler isto, não estariam. Dá que pensar não dá?


17 Responses to “Para reflectir…”

  1. Pedro Timóteo
    Published at January 31st, 2007 at 3:04 am

    E quem sabe estariam cá outros, como as mulheres que não teriam perdido a vida por serem forçadas a fazer um aborto de forma ilegal e perigosa, e os filhos que essas mulheres poderiam ter, mais tarde, quando já lhes pudessem dar uma vida decente.

    Já agora, não está provado de forma alguma que a despenalização do aborto aumente o número dos mesmos. Vi há tempo um estudo sobre o caso de França (sorry, não tenho o link, mas era num jornal online português, se bem me lembro), que dizia que o número de abortos não aumentou quando estes foram despenalizados, há poucas décadas.

  2. mlopes
    Published at January 31st, 2007 at 3:11 am

    O número de abortos aumentou efectivamente. 30% em Espanha, mas também não tenho aqui o link (li no jornal). A contagem faz uma previsão, questionável, do número de abortos ilegais que eram feitos.

    O argumento da vida decente é falacioso. Conheço muita gente que queria ter filhos e eles não têm uma vida decente.

    Quanto às mortes, há duas abordagens possíveis: 1) tentar dar apoio no planeamento familiar, moral e monetário; justificar muito bem o aborto e não apenas por livre arbítrio 2) abortar. Eu sou claramente a favor do primeiro.

    Se a lei for aprovada, o que acontecerá é bastante simples, como está a acontecer nos restantes países da Europa. Daqui a três, após umas quantas vidas ceifadas, é revista e restrita para um controlo mais apertado que contabilize a opinião do pai e não dê azo ao livre-arbítrio.

  3. Miguel
    Published at January 31st, 2007 at 10:34 am

    Não, não dá nada que pensar. Quando é que as pessoas metem na cabeça que quem realmente quer fazer um aborto, faz, independentemente de ser legal ou não.
    Parem lá com as conclusões erradas como essa de que se se legalizar o aborto este passa a ser uma opção que todas as grávidas vão ter em conta.

  4. José Marques
    Published at January 31st, 2007 at 10:40 am

    Nem por isso, a necessidade de fazer ou não um aborto ultrapassa a lei, à 30 anos ou hoje.

  5. Cláudio Franco
    Published at January 31st, 2007 at 10:52 am

    Eu não sei como foi a vossa vida escolar, mas na minha escola preparatória e secundária quando havia pequenas aulas de “orientação” onde davam a conhecer o preservativo, davam até, diziam onde podiam ir para os ter sem custos, etc os alunos não ligavam puto.

    Simplesmente ignoravam. E não era por terem aulas de orientação que deixavam de aparecer grávidas aos 14/15 anos.

    Eu não sou a favor do aborto em si. Apenas sou contra a condenação por tal.

    PS: Não entendo com algumas pessoas do não (não necessariamente tu Mário) acha que uma gravidez vinda de uma violação tem menos valor humano do que vinda de uma aventura de uma noite.

  6. zatrusta
    Published at January 31st, 2007 at 11:40 am

    se fosse a pensar assim poderia dizer que “poderiam ter abortado o hitler. dá que pensar, não dá?”

    eeeh

  7. Jorge Carreira
    Published at January 31st, 2007 at 12:04 pm

    “e a lei do aborto em referendo tivesse sido aprovada há 30 anos atrás provavelmente alguns de nós, que neste preciso momento estão a ler isto, não estariam. Dá que pensar não dá?”

    Se o Hitler não tivesse feito a segunda guerra mundial também não. O que não quer dizer que lhe estou grato por alguma coisa (lei-a-se a minha vida).

    A verdade é que faltam aqui muitos que nunca chegaram a nascer porque as suas mães fizeram o aborto à revelia da lei.

    Claro que se fecharmos os olhos e assobiarmos umas musicas do Sérgio Godinho e fingirmos que está tudo bem, então está tudo bem.

  8. Pedro Timóteo
    Published at January 31st, 2007 at 12:22 pm

    O número de abortos aumentou efectivamente. 30% em Espanha, mas também não tenho aqui o link (li no jornal). A contagem faz uma previsão, questionável, do número de abortos ilegais que eram feitos.

    Pois, a questão é mesmo esse “questionável”. Se eram feitos ilegalmente e às escondidas, sob risco de prisão, é natural que não fossem muito bem contados… É bem provável que as estimativas fossem para baixo.

  9. CPinto
    Published at January 31st, 2007 at 12:31 pm

    Mário, às vezes surpreendes-me pela negativa. O aborto em Espanha não aumentou 30%, simplesmente passou a ser possível contabilizar o número de abortos.

    Eu pessoalmente sou a favor da vida: a vida dos pais. Na minha opinião é cretino que a sociedade condene pais não preparados (por imensos motivos que vão desde a idade a não poderem suportar o desenvolvimento da criança), e faça passar uma lei que leva à prisão das mulheres só para poderem dormir mais descançados sob o manto da hipocrisia.

  10. Artur Correia
    Published at January 31st, 2007 at 12:50 pm

    My 2 cents:
    - Sou contra o aborto, no sentido em que, pessoalmente, seria incapaz de encará-lo como a solução de um problema.
    - Mas também sou contra imposições em questões que não são definitivas. A partir do momento em que se aceita discutir o problema da despenalização até às 10 semanas, aceita-se que a questão é discutível; sendo dsicutível é inaceitável a imposição de uma norma cujo conteúdo que radica essencialmente em fundamentos éticos ou morais, de onde emerge a sua discutibilidade.

  11. Pedro Timóteo
    Published at January 31st, 2007 at 1:13 pm

    Ah, Mário, já agora, quando eu disse “dar aos filhos uma vida decente”, não me referia apenas (nem sobretudo, sequer) a meios económicos, mas sim a dar-lhes uma vida estável, sã, com atenção, amor, e essas coisas.

  12. RedTuxer
    Published at January 31st, 2007 at 1:39 pm

    Sinceramente não dá para perceber a lógica do texto, o que tem a despenalização da mulher com o facto de aqui estarmos???

    Demagógico e falacioso é o que me parece o artigo, no mínimo… Mais, ainda se o autor do artigo fosse alguem da Igreja ou um Portugues sem formação como infelizmente abunda pelo País, daqueles que vão à missa, o seu ídolo é Salazar e o Estado Novo,tem a 4ªa classe, ainda dava um desconto. Mas não me parece nada que seja o teu caso.

    Claro que voto SIM, quem sou eu para obrigar uma qualquer mulher que eu não conheço de lado algum, a ter uma criança que por um qualquer motivo forte não pode ter ou não quer, e que iria abortar de qualquer maneira, e eu condená-la à prisão ou algo semelhante??? Mas quem és tu, Mário, Para obrigares a minha vizinha com 11 anos a ter uma criança não desejada? Mas quem és tu, Mário, para obrigares a Maria da Dores, a ter uma criança quando ela nem sequer tem dinheiro para comer, nem para ela nem para o resto da familia que sustenta, não tem emprego nem perspectivas disso, o Estado não a apoia, etc, etc?

    Desculpem lá o mau feitio, mas muitos dos argumentos do não deixam-me mal disposto. Parece que quem vota SIM tem escrito na testa que: -AGORA VOU ABORTAR TODOS OS DIAS (mulher)
    -EXIGO QUE ABORTES (homem)

  13. JP Antunes
    Published at February 1st, 2007 at 12:55 am

    Tenho lido os teus posts quase diariamente (graças ao p*) e tenho-te na melhor das considerações pois sempre me pareces-te perfeitamente racional e objectivo (mesmo sendo um bocado fanboy…mas eu também sou).

    O que me leva a quebrar a barreira do anonimato entre quem lê o que escreves todos os dias e quem comenta no teu blog é exactamente este teu post revelar-se tão pouco claro e objectivo.

    Se há 30 anos houvesse este referendo, provavelmente o não teria ganho.

    Se há 30 anos houvesse este referendo, eu estaria aqui hoje, assim como muito provavelmente, tu. A minha familia sempre me fez sentir desejado e querido, como provavelmente também a tua.

    Se há 30 anos (27, no meu caso) a minha mãe tivesse optado por abortar, teria recorrido aos mesmos métodos e vias que hoje uma qualquer mãe, amiga, irmã ou namorada pode recorrer.

    A diferença? Provavelmente ela não teria tido a oportunidade de ter filhos mais tarde, quando, qualquer que fosse o motivo que a tivesse levado a realizar uma IVG, achasse que estavam garantidas as condições para criar um filho, porque as condições em que o teria feito deixariam marcas, com certeza, profundas e dificeis de curar.

    Olha que, e isto não é só uma opinião, tomar a opção de abortar envolve muito raciocinio lógico. Muito mais do que a de ter sexo desprotegido num qualquer verão, por exemplo.

    Pensa nisso.

  14. mlopes
    Published at February 1st, 2007 at 1:04 am

    JP Antunes,

    Fanboy é um termo interessante e, dependendo do contexto, poderá ser prejorativo ou não. Eu considero-me apenas uma pessoa com ideais e gostos bem patentes e que os gosto de transmitir. O resultado é óbvio: ganho amigos e inimigos. Enquanto o saldo da balança for positivo (amigos - inimigos) continuarei assim :-) A pior coisa deste mundo é estar no meio, em que somos indiferentes a tudo e todos.

    Quanto à questão, mais on topic, o problema reside precisamente aqui

    Olha que, e isto não é só uma opinião, tomar a opção de abortar envolve muito raciocinio lógico. Muito mais do que a de ter sexo desprotegido num qualquer verão, por exemplo.

    Para grande parte das pessoas, sim. No entanto, e sei porque conheço, já convivi ou são-me próximas pessoas que não estavam claramente aptas a tomar aquela decisão. O caso mais próximo que tenho é uma amiga de 19 anos que abortou numa clínica em Espanha com excelentes condições (não fossem os pais ricos) e agora está internada numa clínica psiquiátrica em Barcelos porque não superou o aborto. Nos seus poucos momentos de lucidez, chora por um dia ter abortado…

  15. JP Antunes
    Published at February 1st, 2007 at 12:50 pm

    O termo “fanboy” não foi de modo algum uma ofensa. Peço desculpa se assim pareceu.

    Esse caso que tu contas é paradigmático. Pensa nisto, se o aborto tivesse sido feito em Portugal, agora em vez de estar a ter acompanhamento médico, a tua amiga poderia estar num estabelecimento prisional. Nem te vou perguntar o que preferias.

    Ainda que não chegasse a ser punida criminalmente, teria não só de ultrapassar o enorme trauma que é a realização de um aborto, como também o teria de fazer no mais absoluto segredo e solidão.

    O que eu quero dizer, é que o voto no “não” não impede de maneira alguma o fenómeno social do aborto, mas antes esconde-o numa cifra negra que ninguém quer realmente explorar.

    Não será preferível trazer para a legalidade uma intervenção cirúrgica que pode causar tamanhas repercussões psicológicas e físicas?

  16. RedTuxer
    Published at February 1st, 2007 at 1:13 pm

    Mário, devias ser coerente com o lado que apoias no referendo, o NÃO. Devias ir ao Ministério Publico e acusar a tua amiga de aborto ilegal! Ela deveria ser agora julgada e levar com 3 anos de prisão que é o que merece! Aliás, devia ser mais! Foi um homicidio premeditado e como tal devia levar 25 anos!!

    Sendo despenalizada a mulher, ela não terá de recorrer á ilegalidade, esconder-se e ir à espanha ou a parteiras, e poderá dirigir-se a um hospital publico onde será devidamente aconselhada e ajudada, terá (em alguns países tem X tempo de reflexão obrigatória) tempo de refletir sabendo que não será acusada criminalmente por isso e só depois é que se fará ou não a tal IVG.
    Pelos vistos como está agora (o NÃO ganhou no outro referendo) é que não serve! O aborto continua, mulheres são julgadas, mulheres ficam muitas vezes com marcas psicológicas ou físicas( não poderão ter mais filhos), continuam a haver mortes de mulheres com o aborto ilegal, há negócios mafiosos com o aborto clandestino, etc, etc
    Mário, queres que continue assim e tenhas mais amigas internadas em clinicas???

  17. Bruno Morisson
    Published at February 1st, 2007 at 7:02 pm

    O caso mais próximo que tenho é uma amiga de 19 anos que abortou numa clínica em Espanha com excelentes condições (não fossem os pais ricos) e agora está internada numa clínica psiquiátrica em Barcelos porque não superou o aborto. Nos seus poucos momentos de lucidez, chora por um dia ter abortado…

    Ainda percebo menos a tua posição. Acabaste de comprovar que por ser ilegal as pessoas não deixam de o fazer.

    Já agora, fizeste queixa dela ao Min.Público, certo ?