Mas o que é o Software Livre?
- Published January 21st, 2007 in Soft. Livre, Crónicas
Cada vez mais o Software Livre tem assumido um papel relevante na sociedade da informação. A sua expansão tem dado origem a novos projectos e, inevitavelmente, a estatísticas.
Obstante os eventuais erros que as estatísticas originam — principalmente os interpretativos –, estas têm vindo a ser feitas. A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em específico, tem sido responsável por uns quantos inquéritos neste sentido (é pena que os resultados sejam poucas vezes publicamente divulgados, mas isso é outra história).
Hoje recebi mais um desses inquéritos de uma aluna de Mestrado em Reabilitação do Património Edificado. Este inquérito, em especial, motivou a escrita deste pequeno esclarecimento, que espero que seja tido em conta em inquéritos efectuados doravante.
Algures pela sétima pergunta, surge a questão do porquê que uso Software Livre. Existem algumas opções correctas, nomeadamente Possibilidade de alterar o software e adequá-lo às minhas necessidades, Questões profissionais ou Questões financeiras. Esta última carece de uma explicação mas, regra geral, é correctamente aplicável [1]. A primeira opção, que cito aqui como última, era Questões ideológicas. Assim, isoladamente, é perfeitamente correcto. Sugere que a pessoa usa o Software Livre porque acredita nos ideais por detrás do Software Livre, nomeadamente:
- Liberdade 0: A liberdade de correr o programa seja com que objectivo fôr.
- Liberdade 1: A liberdade de estudar e modificar o programa.
- Liberdade 2: A liberdade de poder alterar o programa para poder ajudar terceiros.
- Liberdade 3: A liberdade de poder melhorar o programa e, caso queira, entregá-lo à comunidade para que também possa usufruir das alterações.
Qual foi o problema então? Os parêntesis que subscrevem quem escolhe essa opção (Questões ideológicas)
contra software proprietario, ideologia de esquerda
Ambas absolutamente absurdas.
Em primeiro lugar, eu, enquanto proponente do Software Livre, não sou contra o software proprietário. Prefiro usar e divulgar o Software Livre mas a minha vida não depende do fim do software proprietário. Na verdade, eu acredito num estado Zen entre o software proprietário e o Livre.
Em segundo lugar eu não sou de esquerda (nem de direita. Sou de ideias, venham elas de onde vierem) e uso e promulgo o uso do Software Livre. Outra grande falácia, considerar que a defesa ideológica do uso do Software Livre implica ser de esquerda. Como eu, e para destronar tal falácia, conheço muita gente de quasi extrema-direita (PNR) que usa e defende o Software Livre e muita gente de quasi extrema-esquerda (BE, PCP) que usa e defende o Software Livre.
Espero, portanto, que este post tenha sido esclarecedor e possa inspirar os futuros inquéritos efectuados no sentido de aferir quais os motivos pelos quais se usa Software Livre.
[1] - O Software Livre não é necessariamente grátis, se bem que isso sucede-se em 95% dos casos. No entanto, não deve ser essa a bandeira para apregoar o Software Livre. Devem-se evocar motivos técnicos e, quando aplicável, ideológicos.




Em primeiro lugar, eu, enquanto proponente do Software Livre, não sou contra o software proprietário. Prefiro usar e divulgar o Software Livre mas a minha vida não depende do fim do software proprietário. Na verdade, eu acredito num estado Zen entre o software proprietário e o Livre
A tua vida pode não depender mas o que é facto e que a única forma de milhões de pessoas em todo o mundo (Brasil, Índia, etc.) têm de adquirir uma cultura tecnológica é através do software livre, graças às quatro liberdades que ele oferece.
O software proprietário gera desigualdade no acesso ao conhecimento e, em consequência, contribui para aumentar a desigualdade social. Em contrapartida, o software livre fomenta a inclusão digital. Nesse sentido, é um esforço colectivo para a criação de um mundo mais justo. Os aspectos técnicos serão sempre secundários. Isso não quer dizer que eu seja contra as opções proprietárias (uso Mac OS X) mas apenas que considero que preferencialmente, todo o software devia caminhar em direcção ao livre (e não grátis, como tu referes muito bem).
Caro Miguel,
Estamos perfeitamente de acordo. O que eu não acho é que para o triunfo do Software Livre se deverá começar por “destruir e aniquilar todo o software proprietário” mas antes por fazer ver que o Software Livre tem qualidades meritórias e uma ideologia por detrás que permite um acesso justo à sociedade da informação.
Um abraço.
Ah, isso são “zealots”, mas essa espécime também há em todo o lado… mesmo nas empresas de software proprietário ;-)
Caro Miguel,
O que não falta são zealots do software proprietário e, mais especificamente, da Microsoft. Conheço quem não use Firefox simplesmente por não ser Microsoft.