Geração Hi5/Arruinada
Quando eu andava no 9º ano uma vez tive que fazer uma composição para Língua Portuguesa que abordasse o tema “Geração à rasca”. Tema aprazível para um adolescente em crescimento e em constante observação do que o rodeava.
Comecei então a sumarizar mentalmente tudo aquilo que poderia caracterizar a minha geração como uma geração à rasca. Feito isto, reservaria para o final aquilo que temos de bom atribuindo uma conutação de esperança ao texto. O resultado seria, eventualmente, um toque melodramático que fosse directamente a quem avaliaria tal prosa, a minha professora. E resultou.
Mas o interessante é agora rever aquilo que eu apontava como sendo uma geração à rasca. Comparando com a geração actual, eu só posso concluir que eramos tudo menos uma geração à rasca. Quando eu andava no 9º ano os problemas iminentes eram claramente a droga e algumas pessoas baldarem-se. Mas isto era a excepção. No meu ano não existia nenhum aluno que tivesse tocado em algum narcótico leve. Desconheço também casos públicos dos restantes alunos que o tenham feito.
E hoje, o que mudou? Fumar começa aos 13 anos, drogas leves começa aos 14. A primeira experiência sexual está algures entre o início do consumo do tabaco e das drogas leves. O abandono escolar é quase certo (na Finlândia existe um taxa de abandono escolar de 0.005% enquanto que em Portugal este número cifra-se nos 38%!) e tentar alcançar boas notas é apenas desígnio para um quota parte semelhante à dos alunos desistentes na Finlândia. A maior ocupação é passar horas e horas no Hi5 nas cantigas de escárnio e mal dizer (será que eles sequer sabem o que são estas cantigas?) sobre a foto daquela, o amigo da outra ou o que aquela fez àquela. Sextas, sábados e até por vezes dias da semana são feriados instituídos para saír à noite, mesmo para alunos que ainda estão no secundário.
Dito isto, a minha geração era tudo menos geração à rasca. Isto revela duas coisas: Tudo é relativo e agora a mais grave, a geração actual está seriamente condenada. Ou os pais começam a puxar as rédeas ou nem quero imaginar a geração vindoura.
Haja respeito!




Normalmente dou-te razão, mas… este desabafo soa-me muito ao típico “a juventude está perdida”, que os teus avós disseram da geração dos teus pais, eles disseram da tua, e tu dizes da próxima.
É claro que os putos agora têm a vida muito mais facilitada. Também é um facto que o entertenimento deles nos parece completamente estúpido e vulgar, que eles parecem não ter objectivos nem pensam no futuro, e tudo o mais. E é um facto que neste país temos uma cultura anti-intelectual e populista que não haverá, suponho, na Finlândia; cá, quem tenha boas notas, é o “menino do professor”, imediatamente posto de parte pelos colegas. Mas isso é a cultura portuguesa, não é “o mundo está perdido”. Acho é que, quando muito, a nossa geração, por ter vindo do 25 de Abril e afins, foi uma excepção.
Mas também te digo que a próxima geração vai dizer a mesma coisa em relação aos filhos deles… Isso é sempre assim.
IMHO o Pedro Timoteo tem uma ponta de razão, mas estou mais “do lado” da visão do Mário. Como alguém dizia .. “nada se perde, nada se cria, tudo se transforma!”… mas ninguém disse no que esta geração se transformará.
É verdade que todos temos o nosso quê de rebeldia, mas isso prende-se por nos separarmos de velhos costumes e não de envederarmos por uma vida de palhaçada autêntica como é o que se está a viver nos dias de hoje.
Falo pela experiência que tenho entre os meus irmãos, primos e conhecidos mais novos.. Só querem ser livres e rebeldes, e realmente a vida é muito bonita assim! Pelo menos até os pais lhes cortarem a mesada…
É muito fácil pensar em fugir de casa, deixar de estudar e ir trabalhar.. mas fazê-lo e singrar.. isso sim, CUSTA!
É a geração Morangos com Açúcar, e mais não tenho a dizer..
Isso é um sintoma da idade, acredita. Tudo nos mais jovens parece pior. O problema é que, na realidade, eles serão muito melhores do que qualquer um de nós.
De qualquer forma, aconselhava-te a ouvir a música “Everybody’s Free”, do Baz Luhrman. Dá um bom mote à vida e à evolução das gerações. Se quiseres eu arranjo-ta :)